Exclusiva: Cardiologista alerta número de infarto em jovens no Vale do São Francisco
Dr. Antônio Marconi, cardiologista

A doença cardiovascular é uma das principais causas de mortes no mundo. Segundo o cardiologista Dr. Antônio Marconi, em entrevista exclusiva ao JS, a maneira mais rápida de reduzir a mortalidade por infarto e as sequelas é a prevenção e o combate aos fatores de risco.

Baseado no estudo realizado entre 2017 e 2018 por Dr. Marconi e sua equipe de cardiologistas, no Vale do São Francisco, foi constatado que a mortalidade intra-hospitalar secundária ao infarto – pessoas que foram internadas pelo infarto e morreram durante o internamento – ficou em torno de 7%, um percentual bem significativo comparado aos grandes centros urbanos.

Na avaliação do cardiologista, tais índices podem ter piorado ao longo dos últimos anos, principalmente após a pandemia do Covid-19. Outra preocupação do médico é sobre a alta proporção de casos sem realização de trombólise, tratamento medicamentoso para desobstruir a artéria ou angioplastia primária.

A preocupação do especialista se dá pela falta de centros médicos especializados na região que possuem o serviço de cateterismo de emergência, ou trombolise no SUS. “O que torna o tratamento em tempo adequado muito difícil, aumentando assim o número de óbitos”, explicou.

 Mais jovens infartados

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que mais de 73 mil pessoas morreram em 2021, no Brasil, vítimas de infarto. Nessa estatística, segundo Dr. Marconi, os jovens têm sido as maiores vítimas de infarto fulminante atualmente.

“Estudos mais recentes têm apontado um declínio na mortalidade por infarto do miocárdio na faixa etária mais alta, enquanto que na população mais jovem não se observa redução”, alertou.

Mudança de hábito

Foto: ilustrativa

A explicação para essa mudança são os novos hábitos de vida dos mais jovens, como tabagismo, drogas ilícitas, além dos fatores clássicos,  como a hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, estresse e histórico familiar de doença cardiovascular.

No entanto, essa situação pode ser revertida, porque muitos desses fatores podem ser controlados ou até evitados, com uma simples mudança de hábitos.

Dr. Antoni Marconi citou alguns caminhos para evitar o infarto: praticar atividade física, ter uma alimentação balanceada, diminuir consumo de sal e bebidas alcoólicas e combater o tabagismo. “E, principalmente, manter os exames cardiológicos em dia e ir regularmente às consultas. Tais prevenções fazem toda diferença para uma vida melhor”, conclui.

 

 

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