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Desafios para o início do ano letivo no Sertão

Escola Nova Geração em Serra Talhada. Foto: Divulgação

 

O Jornal do Sertão conversou com o professor de economia da Faculdade de Petrolina, João Ricardo, que desenvolve um importante trabalho de mapeamento dos casos de Covid-19 para falar sobre o assunto.
Para o docente, “a testagem é uma forma importante de se conseguir detectar as pessoas que estão com a Covid-19, mesmo que assintomático.” Ricardo também pontua que “a OMS estimula e considera que os países que tiveram mais sucesso no controle, fizeram muitos testes”.

Rede privada inicia aulas no formato híbrido em Serra Talhada

A capital do xaxado, no Pajeú, retomou as aulas presenciais na rede particular ontem(08). O Jornal do Sertão conversou com a diretora da Escola Nova Geração, Alry Barros. A instituição é tradicional na região, existe há quase 30 anos e oferta o ensino infantil, fundamental e médio. A decisão foi em comum acordo com as autoridades de saúde e os pais. “Tivemos reuniões diárias com todos. Como há pessoas em grupo de risco, pais e avôs, alunos também podem acompanhar as aulas de casa, pois os professores estão totalmente equipados nas salas para transmitir ao vivo, todos foram capacitados,” destaca Barros. A gestora acredita que, com as diversas medidas de biossegurança que estão sendo adotadas, dará certo para o ensino híbrido. “Além do uso obrigatório de máscara, em todos os portões temos vigilantes com medidores de temperatura para todos os estudantes que entrarem. Há também higienização com álcool gel 70%. Além disso, respeitamos o distanciamento de 2 metros, a escola está toda demarcada. Na sala de aula, há apenas metade do quantitativo de alunos. Os professores estão com equipamentos de proteção.”

O professor Edwilson Cavalcante, do Colégio Francisco Mendes em Serra Talhada, também acredita que é possível o retorno presencial caso haja medidas de biossegurança. ”Um momento delicado, porém possível de se realizar. Sei que nem todos os ambientes escolares estão preparados para esse retorno, no entanto, havendo um planejamento prévio (logístico e pedagógico), tomando as medidas necessárias e tendo cuidado com os alunos, podemos fazer o possível para que as salas não estejam superlotadas e consigamos seguir com o ano letivo.”

 

Inclusão dos professores no grupo prioritário de vacinação

A diretora da Escola Nova Geração é totalmente a favor que os professores sejam colocados no grupo prioritário de vacinação.” Os professores são de grupo de risco, espero que eles sejam vacinados com urgência. Essa vacina de emergência é necessária, assim eles estarão mais seguros para lidar com os alunos,” finalizou.


Elciane Leal, mestra em educação e servidora pública federal, acredita que é de extrema importância vacinar os professores. “Penso ser de extrema necessidade, em especial quando se pensa em um retorno das aulas. Reunir alunos e professores por várias horas em uma sala de aula é algo bastante problemático em tempos de pandemia.” Para ela, que também  é diretora pedagógica do Educandário Pequeno Aprendiz em Floresta, mesmo que haja um distanciamento ainda há riscos. “por mais que se faça um distanciamento acredito e que cuidados sejam tomados, sem a vacina ficamos todos expostos.”

O professor Edwilson também é a favor da vacinação prioritária da categoria. “Com a volta às aulas, os profissionais da Educação estarão em contato com esses alunos todos os dias. Sendo assim, o governo estadual poderia ter colocado os professores, que grande parte pode estar no grupo de risco, como segunda ou terceira fase. A previsão para a nossa vacinação será apenas em Junho, caso tudo ocorra bem, e até lá estaremos “expostos” para poder dar continuidade a um setor fundamental na sociedade.”

Retorno às aulas presenciais no ensino público 

O secretário de educação de São José do Egito, Henrique Marinho, afirmou que é inviável para a região do Pajeú seguir o protocolo de retomada do ensino público elaborado pelo Governo do Estado, tendo em vista o alto quantitativo de alunos e os riscos de contágio. “Temos problemas no Pajeú em comum. A solução que São José terá vai funcionar para Tabira, Itapetim e outras cidades. É um protocolo inviável para nossa região”. Segundo o secretário, São José do Egito tem capacidade para retomar no formato híbrido mas a maior dificuldade é o transporte escolar. “Tenho conversado com secretários da região e a realidade é a mesma. Infelizmente a gente não tem condições de oferecer transporte escolar com segurança para os alunos nesse momento. Na rede municipal pública, decidimos seguir com o ensino virtual, pelo menos em fevereiro e março.”


De acordo com Marinho, a partir de uma avaliação periódica, há a possibilidade de retorno em abril no formato híbrido, dependendo do cenário da pandemia. “A gente deixa claro que toda a rede será assistida, os alunos que não tiverem acesso  à Internet receberão atividades impressas.” No município, a Vigilância Sanitária fará fiscalizações periódicas nas escolas particulares, que já irão retomar as aulas com ensino híbrido, em vista do cumprimento das medidas que previnem a Covid-19.


Para a mestra Elciane, a retomada é delicada e preocupante. “Em especial quando se trata da rede pública de ensino, pois sabemos que há uma grande necessidade de reorganização dos espaços da escola, das áreas de convivência e das salas de aulas. Me preocupa saber das limitações existentes na rede, pensar que, por exemplo, manter as condições de higiene e os insumos necessários para tal pode ser algo difícil de se garantir. Ela chama atenção para o cenário internacional e comparar com a realidade da região. “É o fato de termos visto que mesmo escolas de primeiro mundo tiveram problemas em retorno de suas aulas, assim, esse vírus que nos desafia é um problema que nos coloca em uma situação difícil quando se trata de ter uma opinião formada sobre um retorno das escolas de forma presencial.”

Profissionais da educação destacam desafios no “novo normal”

“Enquanto profissional, eu vejo que a Educação não se faz à distância. A volta do presencial, mesmo que de forma totalmente diferente do que éramos acostumados, abre portas para todos aqueles alunos que não puderam se desenvolver no online. O online não respeita as particularidades de um aluno autista, ou com TDAH, o presencial sim,” enfatizou o professor Edwilson Cavalcante. 

Na sua visão, o papel do professor, nesse momento, é de acolhimento e construção de um novo caminho. “É nossa obrigação estarmos abertos e abertos às novas demandas educacionais, deixar o tradicionalismo de lado, abraçar o novo e compreender que não se faz Educação como era antes de 2020. Com o distanciamento entre cadeiras, o fazer pedagógico deve ser repensado a cada momento para que possamos oferecer, de novo, uma Educação boa, e que seja reparadora para todos aqueles que não tiveram as mesmas condições enquanto estavam em suas casas”, pontua Cavalcante.

Os profissionais de educação têm superado muitas adversidades no atual cenário. “No que diz respeito ao papel desempenhado pelos profissionais da educação, considero que foi um trabalho de superação e de muita busca, pois foi preciso aprender muito e nos abrirmos ao “novo”, destaca Elciane. A mestra em educação, foi um trabalho também de conquista. “Tivemos que conquistar o aluno para a tela de um computador ou celular e conseguir que ele participasse e interagisse em aula. A parceria que conseguimos firmar com as famílias foi fundamental para que tudo pudesse acontecer, sem eles teria sido impossível. 

 

Pandemia evidencia desigualdades mas possibilita novas oportunidades

Para a diretora Barros, o longo período fechado foi um momento muito triste e difícil. “Nós passamos de março até agora fechados. Quase um ano, foi um momento de muita preocupação, saudade e interrogação. Será que a gente volta amanhã, semana que vem?”, relatou. Para ela, com o início da vacinação há uma sensação de maior segurança. “Com a chegada da vacina, nós e os pais dos alunos estamos com mais segurança para que as crianças estejam nas escolas. Sentimos muita falta deles, se Deus quiser vai prosperar.”

Enquanto diretora pedagógica do Educandário Pequeno Aprendiz, Elciane acredita que está sendo muito desafiador para todas as escolas. “tivemos que nos reinventar e buscar alternativas para continuarmos com nossas   atividades de ensino, o ensino ganhou status digital. Nos valemos das tecnologias digitais e o ensino passou a ser remoto. Os impactos foram muitos, tanto aspectos positivos quanto negativos foram experimentados e impactaram no processo de aprendizagem dos nossos estudantes. Infelizmente a falta de acesso às tecnologias, os problemas com a conectividade marcaram negativamente a trajetória escolar dos educandos mais pobres, por esse motivo muitos se perderam no processo e se evadiram da escola. Já para os alunos que tiveram todas as condições para o acesso às aulas vimos que foi possível sim existir aprendizagem, desenvolvimento cognitivo. É importante frisar que, embora boa parte dos alunos tenha tido aprendizagem em várias áreas do conhecimento, outro aspecto, não menos importante para o desenvolvimento dos estudantes, ficou prejudicado que é a relação socioemocional. A falta do contato presencial representa um grande problema  que tem impactado diretamente no processo de aprendizagem.’
O docente Edwilson também destaca as desigualdades impostas no formato de aula remota. “A pandemia aumentou o distanciamento de classes e seus respectivos acessos aos meios educativos. O impacto se deu em diversas instâncias, e o processo de aprendizagem se tornou cada vez mais delicado para o professor e pouco eficaz para o aluno. A mudança de toda uma perspectiva de sala de aula para dentro de seus quartos fez com que alunos nem sequer assistissem aula por não ter acesso a computadores e celulares. Muitos outros até tinham, mas estavam abalados e nervosos com toda a situação, o que influenciou bastante nesse caminho traçado. Temos que correr atrás do que foi pouco construído em 2020, já que ninguém estava preparado e todos tiveram que virar professores-youtubers para dar de conta do ‘novo normal’,” enfatiza.


Diante desse cenário, no ano passado, a Escola de Referência em Ensino Médio Professora Maria de Menezes Guimarães, no município sertanejo de Itacuruba, tentou inovar na metodologia de ensino à distância e conseguiu driblar os desafios através das ferramentas digitais. O modelo destacou-se e foi premiado nacionalmente como Melhor Gestão Escolar do Brasil, dentre mais de 8 mil concorrentes. Dentre os diferenciais, através do uso das redes sociais, transmissões ao vivo com o conteúdo das disciplinas e a disponibilização de materiais impressos para os alunos sem acesso à Internet. Também foi realizada uma parceria com a rádio local Itacuruba FM 87.9,  para produção e veiculação do podcast Fala, Erem! que trazia em sua programação, de forma lúdica e dinâmica, os conteúdos das aulas.

JS Educação 

Jornalista Anderson Santana Editor Antônio José

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