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Mais da metade dos formandos em licenciatura EaD têm desempenho insuficiente no Enade 2025

O sonho de se tornar professor começa, para muitos brasileiros, atrás da tela de um computador. Flexível, acessível e cada vez mais popular, o ensino a distância (EaD) virou porta de entrada para a formação docente no país. Mas os números mais recentes acendem um alerta importante: essa jornada pode não estar garantindo a preparação necessária.

Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que 53,1% dos concluintes de cursos de licenciatura na modalidade EaD tiveram desempenho insuficiente no Enade 2025. Em outras palavras, mais da metade dos futuros professores formados a distância não alcançou o nível considerado adequado de conhecimento.

O contraste com os cursos presenciais chama atenção. Neles, quase três em cada quatro estudantes — 73,9% — atingiram a proficiência esperada.  A diferença expõe um desafio que vai além das salas de aula: como garantir qualidade na formação de quem vai ensinar as próximas gerações?

Ao todo, seis em cada dez formandos avaliados vieram do ensino a distância. Um crescimento acelerado que, agora, cobra respostas. Para o governo federal, os dados não deixam margem para dúvidas.

Durante coletiva em Brasília, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou uma mudança de rumo: os cursos de licenciatura 100% EaD serão extintos até 2027. A proposta é migrar a formação para modelos presenciais ou semipresenciais.

A decisão se apoia também nos indicadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, responsável pelo Enade. Entre os mais de 4,5 mil cursos avaliados, 35% ficaram nas faixas mais baixas de qualidade (conceitos 1 e 2). E, dentro desse grupo, a maioria é de cursos a distância.

Para a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Marta Abramo, os resultados marcam um ponto de virada. Pela primeira vez, o país tem parâmetros claros sobre o desempenho esperado de quem conclui uma licenciatura — o que deve orientar políticas públicas mais rigorosas.

Enquanto isso, as instituições públicas seguem na liderança. Universidades federais e estaduais concentram os melhores resultados, reforçando o papel do ensino público na formação de professores.

Por trás dos números, está uma questão maior: a qualidade da educação básica começa na formação de quem ensina. E, diante dos dados, o Brasil parece decidido a reescrever esse caminho.

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