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Cidades do Sertão volta às aulas sem política de testagem para profissionais da Educação

Testes-Rápidos- Foto Prefeitura de Petrolina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a testagem em massa é uma das melhores estratégias de combate à pandemia causada pela Covid-19. No entanto, os municípios do Sertão pernambucano, assim como a maioria das cidades brasileiras, vêm investindo apenas o “possível” na testagem da população. Ou seja, comprando testes rápidos para detecção da doença em pessoas com sintomas ou que tenham tido contato direto com o vírus.

Testagem no Sertão

Dormentes, no Sertão, que tem população estimada em 19.079 habitantes, segundo informações da prefeitura, atualmente pouco mais de mil testes estão disponíveis e, até segunda-feira, 8 de fevereiro, foram testadas 6.364 pessoas. Seguindo o protocolo, o município realiza testes nas pessoas que buscam atendimento nas unidades com sintomas como febre, tosse seca, cansaço e perda de paladar ou olfato.

Petrolina, distante 128 km quilômetros de Dormentes, e com 354.317 mil moradores, está concluindo a utilização do primeiro lote de 80 mil testes para detecção do novo coronavírus. Segundo a prefeitura, está em processo final de compra um novo lote de mais 80 mil testes. No entanto, a pessoa precisa fazer o exame rápido após o décimo dia de sintoma da Covid-19, para melhor eficácia do exame.   

Outros usos para os testes

Em ambientes corporativos brasileiros, como na Rede Globo, conforme apurou o Jornal do Sertão, os testes para detecção da Covid-19 são utilizados periodicamente nos funcionários envolvidos nas produções das séries da Globo Play. A empresa exige o teste a cada dois dias para todos que precisam estar nos sets de gravação, como uma medida de biossegurança.

As empresas aéreas, provocadas pelos países que estão buscando controlar a entrada da doença em seus territórios, também estão exigindo testes para os passageiros de voos internacionais. Além disso, já no setor educacional, em Minas gerais, o Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH), que atualmente é a única escola de ensino básico aberta na capital mineira, propõe que todos os funcionários e os estudantes sejam testados periodicamente.

Testes rápidos para professores?

E por que a iniciativa do Colégio Militar de BH não poderia ser replicada no Sertão? Com o retorno gradual às aulas presenciais em Pernambuco, porque não direcionar os testes de detecção de covid-19 para esse público-alvo e aumentar a segurança para os alunos e a tranquilidade para pais e professores?

O Jornal do Sertão questionou a Secretaria Estadual de Educação para saber se existe algum tipo de recomendação à testagem dos profissionais de educação que vão retornar aos trabalhos de maneira presencial. Também perguntou de quem seria a responsabilidade da testagem em massa. No entanto, ainda não recebemos resposta.

Tipos de testes

Sem o posicionamento oficial do Governo do Estado, o JS buscou mais informações sobre os testes rápidos para Covid-19. O médico cardiologista e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Dr. Anderson Armstrong, que também é presidente da comissão responsável pela elaboração, acompanhamento e monitoramento de ações de prevenção do Coronavírus na Univasf, detalhou os dois tipos de testes rápidos utilizados na pandemia. “Existem dois tipos de testes rápidos, tem aquele de furar o dedo que vai dar uma memória de quando a pessoa teve a doença há cerca de duas semanas, se ela desenvolveu ou não anticorpos. E existe um outro teste rápido que se chama antígeno, que é para se tentar localizar realmente o vírus atuando na pessoa, que se faz parecido com o melhor teste que é o RTPCE, aquele que enfia o cotonete no nariz”, distinguiu o médico.

O médico cardiologista e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Dr. Anderson Armstrong

Qual o teste seria recomendado para os trabalhadores da educação?

“O teste rápido que poderia traz um benefício para os professores, se a intenção é saber se eles estão imunizados, seria o do dedinho. Embora a gente saiba que há uma variabilidade muito grande. Ou seja, a gente tem um número grande de falsos positivos e falsos negativos. Mas se o objetivo fosse evitar a circulação do vírus dentro das escolas, o que poderia fazer seria o teste rápido SWAB. O padrão ouro seria que se fizesse o RT-PCR regularmente nas pessoas para se ter uma ideia do controle dos vírus ou não”, afirmou Dr. Anderson.

Em Petrolina, defesa do ensino remoto

Segundo Walber Lins, o Sindsemp foi um dos defensores mais ferrenhos das aulas online em Pernambuco, justamente para evitar o contágio da doença nos profissionais e também dos estudantes. Por isso, o dirigente do sindicato demonstrou preocupação com o retorno às salas de aula no Estado.  

“Já foi implantado o sistema híbrido, que trouxe uma situação de despreocupação, porque não tem nem uma testagem em massa, nem vacinação desses professores. Não existiu nenhuma condição de trabalho voltada para isso, então é muito complicado”, opinou o presidente do Sindsemp.

Retorno gradual só com vacinação dos professores 

Walber Lins destacou ainda que em Petrolina o retorno das aulas na rede do município se deu no sistema remoto e que a volta gradual não contará com o apoio da categoria se não houver vacinação em massa. “Nós somos totalmente contrários se não cumprir com o que é para ser feito. Que seja feita vacinação em massa desse professor e que se garante a sua condição de trabalho, com o seu face shield (proteção facial transparente), com sua máscara também para o professor utilizar”, afirmou o presidente da entidade. 

Exemplo estrangeiro

Em Portugal, desde o dia 20 de janeiro é feita a testagem rápida, através do teste antígenos nas escolas públicas e privadas. Além dessa medida de controle, caso seja identificado algum surto local da doença, a testagem deverá ser intensificada em toda a comunidade escolar dos estabelecimentos de ensino afetados.

O jornalista Cesar Rocha, sertanejo de Petrolina-PE, que mora e trabalha agora em Portugal, atesta que a ampla testagem é realizada no país. “Fiz o teste em um dos meus filhos porque a professora dele esteve contaminada. Mas deu negativo”, contou o pai, afirmando que é possível voltar às aulas se as medidas de segurança corretas foram adotadas. 

Medida similar também foi adotada nas universidades e escolas do Reino Unido, nas instituições de ensino de Israel e dos Estados Unidos. No Brasil não foi implementada a ampla testagem nas medidas de biossegurança na volta às aulas.

 

JS Educação

Jornalista Carol Souza Editor Antônio José

 

 

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