
O Sertão de Pernambuco se projeta internacionalmente levado pela abundante produção de frutas, oriundas das lavouras irrigadas da região do Vale do São Francisco em Petrolina.
Empresas de países como Estados Unidos, Canadá , Reino Unido , Japão e Argentina, contam nos seus quadros profissionais com sertanejos formados em Comércio Exterior pela Fecape – Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina.
O Sertão do São Francisco é considerado o maior exportador de manga e uva de mesa do Brasil .
Responsável por 86% de toda a exportação de mangas e por 99% de uvas do Brasil, o Sertão do São Francisco, responde por mais de 40% da balança comercial de frutas no país.
Com esse desempenho apresentado, a região do Vale do São Francisco cria um cenário apropriado à formação de profissionais de Comércio Exterior.
“Atualmente 15 sertanejos formados na área, atuam em países como, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, África e Argentina , assinala a coordenadora do Curso Comercio Exterior da FACAPE Prof Michela D’arc Campos Mota”.
De Petrolina para o Mundo dos Negócios Internacionais
Na área comercial, por exemplo, uma das mais promissoras do ramo, a oferta de emprego é farta. Geralmente esses profissionais são os responsáveis por prospectar clientes e fechar negócios com os mercados estrangeiros de acordo com a capacidade produtiva da empresa em que atuam. São esses os profissionais que desfrutam de maior relevância por parte da empresa. Paralelamente, são esses os profissionais, que desfrutam dos maiores salários, pagos para a atividade.
Um exemplo que vem da Argentina
Cássia Araújo, 23 anos, é natural do município de Santana do Sobrado, no Sertão do Vale do São Francisco, na Bahia. Ela atua há três anos como agente de vendas e desenvolvimento de Novos Negócios em uma empresa do segmento farmacêutico, a Triquim S.A, com sede em Buenos Aires. Nela, Cássia, é responsável pela prospecção, desenvolvimento e, fechamento de novos negócios da empresa.
“Ser brasileira e falar português, foi o grande diferencial, considerado, em sua contratação, diz Cássia, uma vez que a Triquim S/A, tem como seu principal cliente, o Brasil.
“ O profissional que atua no mercado internacional precisa ter conhecimento sobre os detalhes do produto a ser vendido e qual o diferencial sobre os principais mercados compradores, no contexto internacional, analisar os concorrentes, ter carisma, saber ouvir, lidar com situações de trabalho sob pressão, além de possuir inteligência emocional e saber falar idiomas, como inglês, espanhol e outros.
Como a Argentina atualmente está passando por uma crise econômica, agravada pela pandemia da Covid-19, os empregos oferecidos possuem remuneração a base de comissões que podem ser negociadas de acordo com os interesses da negociação, em voga, o que poderá ser bem gratificante em termos de ganhos. Este foi o meu caso. Afirma Cássia. Eu aceitei as condições oferecidas, inicialmente, como oportunidade de ganhar experiência e logo depois, poder renegociar o comissionamento e consequentemente, obter melhores ganhos.
A área de logística e despacho aduaneiro
Ainda tomando o exemplo da manga como referência em Petrolina, a maior parte da produção de frutas é exportada por via marítima, envolvendo os portos de Salvador e o de Pecém, no estado do Ceará (CE). Nestes setores de logística, por exemplo, os despachantes aduaneiros são essenciais. Esse profissional é responsável por auxiliar no embarque e desembarque das mercadorias de exportação.
Um mercado local para agentes internacionais
O Bruno Faria, CEO da FTrade, explica como o despachante aduaneiro atua: “Primeiro é importante frisar que esse profissional precisa ter um cadastro na Receita Federal, bem como obter uma autorização para atuar na área.
Segundo, é ele quem recebe a manga nos portos, agiliza a documentação necessária junto à Receita Federal e finaliza a operação fazendo contato com o comprador, que deve receber o produto em seu país de origem”, explica.

Um exemplo no mercado norte americano
Taís Moura, é de Petrolina, ela vive e trabalha na cidade de Boston, no estado de Massachussets, nos Estados Unidos. Formada em Comércio Exterior, ela atuou por dois anos como despachante aduaneiro na empresa Expands Air Charter Network (DSV) ,que exporta insumos e equipamentos hospitalares. Por já ter tido oportunidade de trabalhar com exportação de manga e uva no Vale do São Francisco, a sertaneja, atribui sua experiência a esse dois setores.
“Aqui em Boston, eu tenho mais flexibilidade de orçamento para fechar contrato com a empresa de exportação. Já no Brasil, tínhamos um orçamento pré-definido e eu tinha que fechar o transporte com base no valor disponível. Inicialmente, eu senti muito medo de competir com os norte americanos, no Mercado de Trabalho, por não ser daqui. Porém, eles exigem capacidade profissional e não ligam para a sua nacionalidade. “No meu caso, falar português e espanhol foi favorável”, confidencia, Taís Moura, que viajou para os EUA para fazer um intercâmbio e decidiu ficar, buscando inserção no mercado de trabalho local.
FACAPE atua no Comércio Exterior com formação de capital humano
Para atuar neste setor, o profissional de Comércio exterior precisa ter formação específica. Há 17 anos, a Facape realiza o Curso Superior em Tecnologia do Comércio Exterior, oferecendo suporte para complementar a formação. Domínio da Língua inglesa, uma Exigência Complementar essencial. Considerando essencial aos profissionais da área conhecer o idioma inglês, o qual é o principal do ramo, são oferecidos projetos que facilitam este aprendizado.
O Instituto Brasileiro de Línguas (IBL), oferta formação em inglês, com custo acessível para os alunos da Autarquia; a Empresa de Intercâmbio Social promovem intercâmbios entre alunos do curso com diversos países; e por fim, projetos de extensão realizado por alunos e pesquisadores, ambos vinculados à Facape, são outros bons exemplos de possibilidades acessíveis de aprender inglês.
Inserção no Comercio Internacional
“Além desses cursos de inglês, temos outras ações que incentivam os alunos e também as empresas.O Programa de Exportação e de Investimento (Peiex), realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (APex), por exemplo, incentiva as empresas a se inserirem no mercado exterior, desenvolvendo a capacidade de produção e de exportação, buscando, inclusive, as certificações necessárias. Lembrando que não há um perfil específico para se tornar um profissional do Comércio Exterior. Esse perfil vai sendo construído durante o exercício da própria formação”, afirma a coordenadora do curso superior da Facape, Michela Darc Santos.
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