
Há registros do uso do azeite no Egito antigo (3.000 a 3.500 a.C.) e em Creta (2.500 a.C.). Moisés chegou à Canaã (Palestina), aproximadamente, no ano de 1.440 a.C. e, por observação dos seus espias, nomeou a terra como uma terra rica, “de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel” (Deuteronômio 8:8).
Seu uso, como hoje, era múltiplo, inclusive para cozinhar. Especialmente os pães e bolos eram feitos com a mistura certa do azeite de oliveira e a farinha de trigo. A própria azeitona “in natura” ou em conservas era consumida como alimento. Também era usado como cosmético para ungir o corpo e cabelos; para ungir os mortos, em geral com alguma erva aromática misturada; como sinal de hospitalidade, quando pés e mãos eram lavados e ungidos com azeite; e como combustível para lâmpadas de pavio ou palha.
O azeite como medicamento
Como medicamento, o azeite era esfregado no corpo quando a pessoa estava febril, ou era usado em banhos e na unção de ferimentos (como vimos em coluna anterior, quando o bom samaritano cuidou do homem assaltado na estrada).
Flávio Josefo, historiador do segundo século depois de Cristo, afirma que o azeite, usado em banhos quentes, curava muitas enfermidades, entre elas alguns tipos de Lepra, Estrófulo e Dermatites. Além disso, fazia parte do tratamento de doenças cardíacas e cerebrais (provavelmente por diminuir o ritmo cardíaco e a pressão arterial).
Hoje sabemos que o azeite várias substâncias benéficas à saúde, como o composto fenólico oleaceína e ácidos graxos monoinsaturados, encontrados principalmente no azeite extra virgem. A oleaceína previne o dano oxidativo das partículas de LDL, o que contribui para beneficiar a saúde do coração e vasos evitando a formação de placas de aterosclerose.
O azeite também tem vitaminas antioxidantes como a vitamina K e E, que ajudam a combater inflamações e doenças crônicas.
O melhor azeite
Ao contrário do vinho, o melhor azeite é aquele obtido da primeira prensa, “batido e decantado”, e usado tão logo seja possível. O azeite é fotossensível e oxida em contato com o ar atmosférico, por isso deve ser guardado em cântaros lacrados com cera ou mel. Na segunda prensa, é acrescida água ou outros óleos para continuar a extração. Este azeite tem menos acidez e pode, inclusive, ser mais saboroso, mas não tem as mesmas concentrações de polifenóis. O terceiro nível de qualidade é o azeite refinado, usado, basicamente, como combustível ou para preparo de incensos e perfumes.
A conexão entre Jesus e o azeite
Jesus é chamado o Cristo porque é o Messias, o ungido de Deus para ser Profeta, Sacerdote e Rei perfeito perante Deus.
O Jardim do Getsêmani, onde Jesus Cristo orava frequentemente, tem esse nome porque ali ficava a Gat Shemanim, que significa “Prensa de Azeite”. Assim como a azeitona precisava ser esmagada sob o peso da viga de madeira para liberar o óleo, Jesus foi “esmagado” sob o peso do pecado da humanidade e da ira de Deus naquele jardim, pois Lucas nos diz que, enquanto fazia sua última oração antes de ser entregue aos romanos por Judas, Jesus suou sangue (Lucas 22:44).
Na teologia bíblica, o azeite é o símbolo por excelência do Espírito Santo. A conexão com Jesus se dá na plenitude dessa presença, porque ELE é a fonte da luz de Deus e porque trouxe a cura definitiva para o espírito do homem.
Ele é o fruto perfeito da “Oliveira de Israel” que, ao ser esmagado na prensa da cruz, liberou o “azeite” da graça e da cura para todas as nações.







