
Saiu no The Lancet, em maio deste ano: “A percepção que as pessoas têm sobre os atores religiosos (ou seja, instituições religiosas, líderes religiosos, comunidades religiosas e organizações religiosas) varia muito: em alguns casos, eles são as instituições mais confiáveis nas comunidades; em outros, eles não desfrutam de confiança devido a seus próprios abusos de poder”.
Já vimos esse dado aqui: mais de 80% da população mundial confessa alguma fé religiosa. Por isso, o suporte espiritual é tão importante no cuidado com a saúde, especialmente no contexto dos cuidados paliativos.
É essencial que alguns princípios sejam respeitados: a) identificação de necessidades individuais avaliando as fontes de força e sofrimento; b) autonomia – para proteção da dignidade, o paciente deve ser escutado sem pré-julgamento e num ambiente livre de censura, para que possa fazer suas escolhas em paz e conscientemente; c) não-maleficência – na possibilidade de conflito entre a fé do paciente e o tratamento proposto, a equipe de cuidados paliativos deve estar preparada para mediar o dilema e garantir que o paciente entenda as consequências de suas escolhas; e d) beneficência – todo esforço deve ser feito pela equipe para apoiar o paciente na busca da paz e ajudar o paciente a encontrar sentido em sua vida e na doença, assim como promover ativamente oportunidades de reconciliação e perdão consigo mesmo e com seus familiares e amigos.
O suporte espiritual é um componente essencial e obrigatório dos cuidados paliativos, pois reconhece que o sofrimento vai além da dor física, atingindo a busca por sentido, propósito e conexão. Deve ser responsabilidade de toda a equipe, coordenada por profissionais especializados nas questões de fé.







