Home / Saúde / Disfunção Sexual após o Câncer Pélvico: o que a fisioterapia pode fazer por você?

Disfunção Sexual após o Câncer Pélvico: o que a fisioterapia pode fazer por você?

Mestranda em Ciência e Tecnologia em Saúde
Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica

O tratamento de um câncer pélvico — como o colorretal, de colo do útero, bexiga ou próstata — frequentemente deixa marcas que vão além da reabilitação física e da remissão clínica. Um tema ainda pouco abordado, mas de extrema relevância, é o impacto dessas doenças e de suas intervenções na vida sexual de pacientes em reabilitação.

Dor durante a relação sexual, diminuição da sensibilidade na região pélvica, perda ou redução da lubrificação natural, incontinência urinária e fecal, alterações na imagem corporal e receio de retomar o contato íntimo são queixas recorrentes entre pessoas que passaram por tratamentos oncológicos pélvicos.

Nesses casos, o cuidado com a saúde sexual deve ser conduzido por uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais como médico uroginecologista, psicólogo com formação em sexualidade e fisioterapeuta pélvico. A fisioterapia especializada em uroginecologia e saúde pélvica, em especial, tem se mostrado uma aliada eficaz no manejo das disfunções sexuais decorrentes do câncer e de seus tratamentos.

Durante a abordagem oncológica de tumores localizados na pelve, é comum que ocorram alterações neuromusculares e hormonais que comprometem o desempenho e o prazer sexual. Cirurgias podem lesar nervos responsáveis por funções como ereção, lubrificação e contrações do assoalho pélvico. A radioterapia, por sua vez, pode provocar fibroses, ressecamento, dor e encurtamento de estruturas como a vagina, o períneo e o canal anal. Já para pacientes ostomizados — que passam a utilizar uma abertura artificial para eliminação de fezes ou urina — a adaptação à nova imagem corporal pode gerar bloqueios emocionais que dificultam a vivência da intimidade.

A fisioterapia pode ajudar nesses casos, a partir de uma escuta sensível, técnicas baseadas em evidências científicas e foco na funcionalidade. O tratamento é sempre individualizado e pode incluir:

  • Avaliação detalhada da musculatura do assoalho pélvico, sensibilidade, cicatrizes e dor;
  • Técnicas manuais para redução da tensão e aumento da elasticidade dos tecidos;
  • Eletroestimulação e biofeedback para fortalecer a musculatura e melhorar a resposta motora;
  • Treinamento de consciência corporal e coordenação muscular durante a atividade sexual;
  • Exercícios de mobilidade pélvica, postura e respiração para reduzir dor e ansiedade;
  • Orientações comportamentais e de autocuidado que resgatam o prazer, a autoestima e a autonomia.

Falar sobre sexo após o câncer ainda é delicado, mas romper esse silêncio é fundamental e pode mudar a qualidade de vida para melhor. Se você passou por um tratamento oncológico pélvico e percebeu mudanças na sua vida íntima, saiba que não está só. Existe tratamento, acolhimento e caminhos possíveis de reconstrução.

Cuidar do períneo é também cuidar da saúde sexual. E a saúde sexual faz parte do viver com qualidade, com dignidade e com prazer.

Para saber mais sobre este e outros temas, acompanhe a Coluna de Saúde Pélvica no Jornal do Sertão!

 

Fontes:

  1. HOFSJÖ, A.; BOHM-STARKE, N.; BLOMGREN, B. et al. Radiotherapy-induced vaginal fibrosis in cervical cancer survivors. Acta Oncol. 2017;56(5):661-6. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1080/0284186X.2016.1275778
  2. FAKUNLE, I.E.; MAREE, J.E. Sexual function in South African women treated for cervical cancer. Int J Afr Nurs Sci. 2019;10:124-30. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ijans.2019.04.002
  3. VIDAL, M.L.B.; SANTANA, C.J.M.; PAULA, C.L.; CARVALHO, M.C.M.P. Disfunção sexual relacionada à radioterapia na pelve feminina: diagnóstico de enfermagem. Rev Bras Cancerol. 2013;59(1):17-24

 

Profª. Lays Anorina – Fisioterapeuta Pélvica

Mestranda em Ciência e Tecnologia em Saúde

Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica

IG: @laysanorina2

E-mail: laysanorina@gmail.com

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *