Mestranda em Ciência e Tecnologia em Saúde Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica

Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica
Você já experimentou desconforto com inchaço abdominal, além de ficar dias sem conseguir evacuar? Se isso acontece ou já aconteceu com você, é provável que tenha apresentado um quadro de constipação funcional (CF), também conhecida como prisão de ventre. E, embora seja uma condição comum para muitos, esse quadro não é considerado normal e exerce um impacto significativo na qualidade de vida de quem sofre com ele.
A constipação funcional não é classificada como uma doença, mas sim como um distúrbio gastrointestinal, caracterizado por sinais e sintomas como a dificuldade em eliminar as fezes e a necessidade de força excessiva durante a evacuação.
No Brasil, acredita-se que entre 17,5% e 36,5% das crianças apresentem essa queixa; entre os adultos, o índice é de 16%, podendo chegar a 33% na população idosa. A condição é mais frequente na população feminina. Consequentemente, essa é uma situação mórbida que implica em aumento nas visitas médicas para seu tratamento.
Como saber se é constipação funcional?
A seguir, alguns sintomas que podem se manifestar de forma persistente:
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Evacuações infrequentes (menos de três vezes por semana)
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Fezes ressecadas ou fragmentadas
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Esforço excessivo para evacuar
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Sensação de evacuação incompleta
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Sensação de bloqueio ou obstrução
Segundo os critérios de Roma IV, esses sintomas devem estar presentes por pelo menos três meses, com início há pelo menos seis meses. É importante lembrar que cada organismo tem seu ritmo: algumas pessoas evacuam diariamente, outras a cada dois dias. O problema está em como isso interfere no bem-estar e na função intestinal.
As causas da CF são diversas, incluindo uma dieta pobre em fibras, baixa ingestão de água, sedentarismo, uso excessivo de laxantes, estresse, ansiedade e alterações hormonais. Além disso, questões musculares e funcionais, como a contração inadequada dos músculos do assoalho pélvico durante a evacuação, podem dificultar o esvaziamento intestinal, mesmo quando há vontade de evacuar.
Os principais fatores de risco são: sexo feminino, uso de medicamentos para depressão e ansiedade, envelhecimento, inatividade, baixa ingestão calórica, baixa renda e escolaridade, histórico de abuso físico e sexual, além de cirurgias.
O diagnóstico clínico é baseado nas queixas relatadas pelo paciente. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para descartar causas orgânicas. Avaliações funcionais, como o teste de evacuação com balonete ou a manometria anorretal, analisam o estado funcional dos músculos do assoalho pélvico.
Apesar de algumas pessoas conviverem por anos com a constipação sem buscar ajuda médica, é importante destacar que a CF tem tratamento e merece atenção para sua normalização.
Dentre os tratamentos existentes, destacam-se: terapia medicamentosa – em alguns casos, de forma contínua –, mudanças alimentares, alteração no estilo de vida, reeducação evacuatória e fisioterapia pélvica, com exercícios específicos e recursos eletroterapêuticos, entre outros.
Algumas dicas que podem ajudar a melhorar o quadro de CF:
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Aumentar a ingestão de fibras (frutas, verduras, grãos integrais) e líquidos
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Praticar atividades físicas regularmente para estimular o funcionamento intestinal
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Aprender a perceber os sinais do corpo, adotar posições adequadas no vaso sanitário (como o uso de um banquinho para elevar os pés, em alguns casos) e evitar segurar a vontade de evacuar
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Meditação e momentos de relaxamento podem ajudar a regular as emoções, reduzindo a ansiedade e o estresse
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Evitar o uso excessivo de laxantes
Sendo o intestino um órgão sensível aos hábitos, emoções e rotinas, quando algo não vai bem no organismo, o corpo emite sinais. Entender como o seu intestino funciona e estar atento aos seus sinais é um gesto de autocuidado que merece atenção.
Se a constipação faz parte da sua rotina intestinal, procure ajuda, mude hábitos e descubra que é possível viver com mais conforto, leveza e bem-estar.
Seu intestino fala com você. Escute-o com mais atenção e carinho!
Fontes:
- PRADO; FERREIRA; MORAIS; CIRQUEIRA. Aspectos Clínicos e Epidemiológicos da Constipação Intestinal: Uma Revisão Integrativa Da Literatura. Ver. Psicologia. 2020.
2.SOCIEDADE BRASILEIRA DE MOTILIDADE DIGESTIVA E NEUROGASTROENTEROLOGIA – SBMDN. Constipação intestinal. Material eletrônico, s/d.
- CARDOSO et. al. Constipação Funcional Pediátrica: Epidemiologia, Diagnóstico e Estratégias Terapêuticas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences. v.7, n.21, 2025.
Profª. Lays Anorina – Fisioterapeuta Pélvica
Mestranda em Ciência e Tecnologia em Saúde
Pós-Graduada em Fisioterapia Pélvica
IG: @laysanorina2
E-mail: laysanorina@gmail.com