A Agrinordeste 2022, a maior expressão do agronegócio da Região | Por Geraldo Eugênio
Geraldo Eugênio, Professor Titular da UFRPE-UAST

Ambiente de discussão técnica

Há 29 anos a FAEPE – Federação da Agricultura do estado de Pernambuco, liderada pelo pecuarista Pio Guerra Júnior, colocou em prática um evento anual, no formato de seminário, que primava em trazer ao público rural de Pernambuco os mais destacados especialistas do Brasil sobre temas relacionados ao campo, dando uma ênfase especial às principais cadeias produtivas como a pecuária de corte e leite, a fruticultura irrigada, a avicultura e o setor sucroenergético.

Este modelo persistiu por vinte anos, até que foi observado que o público visitante, rural e urbano, gostaria também de conhecer o que se produzia e a relação do campo com a cidade. Timidamente foram sendo ofertadas a cozinha regional, ao churrasco, ao artesanato e utensílios de couro, chegando à moda “country”.

A ampliação se deu passo a passo  

De um evento que ocupava dois auditórios e uma dezena de salas no Centro de Convenções de Olinda, chegou à área das exposições e nas últimas edições tem conseguido ocupar todo o espaço disponível neste ambiente de grandes eventos.

A partir de uma concepção que dava prioridade ao público de Pernambuco, passou a ver o Nordeste como um todo e, com uma atenção especial, seu semiárido. O resultado é que hoje atrai expositores de todos os estados nordestinos e de outras regiões do país.

Quanto ao público, é um momento de congraçamento do jovem e da população da região metropolitana de Recife com o que conta seus pais, avós sobre como era a vida antes de migrarem para a grande cidade. Seja devido a uma seca, ou em busca de oportunidades que até então estava concentrada na indústria e no emprego público. O que se reconheça, mudou substancialmente nas últimas duas décadas.

A agropecuária regional tem sofrido os ventos de mudança que sopram do Cerrado e aquela atividade unicamente dependente de chuva modernizou-se, nas áreas próximas ao Rio São Francisco, grandes açudes e barragens, mesmo que nem sempre tenha havido o devido gerencialmente das águas e, neste instante, se prepara para ver as tecnologias mais reginadas de comunicação, internet, robótica, satélites, biotecnologia e mercado serem incorporadas ao semiárido do sequeiro, dependente de chuvas e que explora de modo comercial os aquíferos existentes na região.

O público é diverso, as demandas, específicas  

A montagem da agenda de cada uma das feiras exige um trabalho árduo da comissão técnica em identificar, convidar e, na maioria dos casos, convencer a não menos de cem especialistas do estado ou de outras regiões a participarem de palestras e conferências durante o maior evento coberto de toda a região.

Não poderia haver uma feira voltada para o agronegócio sem que dezenas de caravanas de produtores, trabalhadores, pequenos e médios empresários, técnicos e gestores não se fizessem presentes. O encontro se tornou uma oportunidade única de professores e pesquisadores conversarem com aqueles que fazem o setor. É ali que muito do que será feito nos anos posteriores foi despertado e “negociado”.

Para os estudantes, além da participação ativa durante o evento como guias e tutores, é um aprendizado ímpar e que transcende o dia normal nas escolas e universidades. Este tem sido um papel relevante por parte da Agrinordeste, acolhendo as instituições de ensino, pesquisa, extensão e inovação tecnológica.

Um evento maduro e plural

O mais interessante foi a ampliação que se dá a cada momento atraindo cadeias produtivas e setores empresariais que não haviam despertado para a oportunidade ou não se viam como parte do ecossistema do agronegócio, vamos a alguns destaques.

Queijo e produtos lácteos – Desde algum tempo, o concurso de queijos foi crescendo, contando com conhecedores de todo o país e qualificando e mostrando o caminho do que poderá ocorrer com o queijo de coalho, desde que seja encarado pelo público produtor e gestores públicos e privados tal qual foi feito em Minas Gerais. Quem não ouviu falar do Minas Padrão?

Artesanatos de couro – A Agrinordeste tem sido um dos eventos mais cobiçados por esse público. A cada dia o setor se expande. Muitas empresas e associações de estados vizinhos participam e depoimentos de empresários paraibanos da empresa Artesa dão conta de quão positivo e rentável é manter a presença no evento. Quase sempre não há estoque de retorno. Todas as peças expostas são vendidas e vários negócios são gerados.

Culinária – Este setor tem sido contemplado com uma atenção especial. Primeiro na organização do espaço de alimentação, seguindo-se dos eventos paralelos com a presença de renomados Chefs e gestores de restaurantes, além dos cursos, apresentações e oficinas. A comida sempre atrai atenção de todos, onde quer que seja.

Moda – O Nordeste não conta com os rodeios, mas tem as vaquejadas e pegas de boi. Nossos vaqueiros não usam a bota, o cinto e o chapéu texano, como usa o pessoal de São Paulo, Mato Grosso do Sul ou Goiás, mas tem suas preferências pelo traje típico regional para o público masculino e feminino. Aqui no Nordeste o que não falta são empresas no setor de modas e confecções que possam atender a demanda. As butiques vieram para ficar e a tendência é crescer com suas presenças, é só conferir.

         Agora, os pets – Sou de um tempo em que a Medicina Veterinária era voltada para os grandes animais: bovino, equinos, caprinos e ovinos. O mercado pet reconfigurou a profissão e hoje é aquele que mais demanda profissionais, cuidados especiais, clínicas especializadas, nutricionistas e até psiquiatras. Os tempos de pandemia aproximaram ainda mais as pessoas de seus animais de estimação, o mercado tem crescido em números não previstos e continua em expansão. Adotar o setor pet foi uma grande iniciativa da feira, atendendo a um público especial e cativo.

O convite

Resta lembrar que a 29ª. Agrinordeste será entre os dias 01 e 04 de novembro de 2022, entre 10:00 e 22:00 h, no Centro de Convenções, na histórica Olinda. É um evento que se mantém gratuito e uma oportunidade para uma tarde ou noite para quem se encontre em Recife durante este período. Vamos lá.

        

 

1Professor Titular da UFRPE-UAST

Recife 29 de setembro de 2022

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