
Afogados da Ingazeira se destaca pelo acolhimento aos seus filhos naturais e adotivos, que fizeram desse lugar sua moradia. Mas a parada final do JS não é na área urbana, mas sim na zona rural.
Dentre os diversos povoados da região, buscamos o Leitão da Carapuça, uma comunidade remanescente de quilombo. Para chegar lá basta seguir pela estrada de terra da Queimada Grande, depois do bairro Manoela Valadares, 19 quilômetros adentro.
Os visitantes que se lançam nessa aventura avistam uma pequena escola, com o nome de Antônio Venerando um espaço simples e acolhedor. Em meio ao verde das árvores que envolvem a comunidade, repleta de natureza e tranquilidade, encontram se tons azuis das casas de alvenaria.
O morador Sebastião José da Silva, liderança local. apresentou a comunidade e explicou que hoje, aproximadamente, 30 famílias moram no Leitão. “Nós viemos para a comunidade na época que eu estava com 3 anos de idade. Essas famílias que residem aqui vieram, a maior parte, do município de Custódia”, recorda.

Serra do Giz, uma viagem na pré-história nordestina
Outro ponto que chama a atenção no local é a Serra do Giz, Unidade de Conservação do bioma Caatinga reconhecida como Refúgio de Vida Silvestre e importante sítio arqueológico.
O local atrai visitantes e aventureiros que buscam apreciar a paisagem, além de excursões escolares que apresentam aos estudantes o passado da comunidade e um pouco sobre a história da ocupação da região. O acesso é feito por uma trilha, onde há um paredão de rochas com inscrições rupestres de coloração avermelhada. “Sempre recebemos pessoas que vêm conhecer a comunidade, as inscrições rupestres e a Serra do Giz”, lembra Sebastião.
Inscrições rupestres
As inscrições rupestres também são importantes incentivo para pesquisadores quem pretendem investigar as pinturas e gravuras reproduzidas nas paredes pelos seres humanos pré-históricos, provavelmente com o objetivo de registrar os principais acontecimentos de suas tribos.

“As pinturas rupestres existentes na localidade, juntamente com alguns pontos para contemplação da bela paisagem, atraem muitos pesquisadores e turistas, conferindo à área grande potencial para exploração turística”, informa a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
Hoje o Leitão da Carapuça reúne um importante sítio arqueológico, que possibilita à população conhecer e ver de perto indícios dos primeiros seres humanos que habitaram a região. Além disso, abriga várias espécies de fauna e flora típicas da Caatinga. Dada a sua importância, a Serra do Giz se tornou um Refúgio de Vida Silvestre há 3 anos, em junho de 2019, através do decreto nº 47.557.
De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), a Unidade de Conservação da Serra do Giz abriga 66 espécies de 19 famílias botânicas; além de 116 espécies de animais catalogadas, como o gato-do-mato, que corre risco de extinção.
Unidade de Conservação
A Unidade de Conservação possuí uma área de 310 hectares, entre Afogados da Ingazeira e Carnaíba que, segundo a CPRH, tem o propósito de proteger o bioma Caatinga. “Apresenta grande riqueza de fauna e flora, e grande potencial para conservação, mantendo seus serviços ambientais e biodiversidade. A proteção e a conservação de áreas da caatinga não se resumem apenas em evitar a diminuição da diversidade desta região, também está intimamente associada à manutenção de processos ecológicos e serviços ambientais essenciais à sociedade”, emite a CPRH.
Além de preservar as belezas naturais da região, a fauna e a flora da Caatinga, a comunidade do Leitão protege a pré-história nordestina e resiste às dificuldades. Na próxima reportagem você vai conferir um pouco mais sobre o reconhecimento da comunidade remanescente de quilombo, os desafios e as principais conquistas.
*com informações de Anderson Santana










