
Pernambuco, este retângulo irregular
O formato do estado de Pernambuco é um retângulo irregular lhe dá uma característica singular com vantagens e limitações. A distância Norte-Sul apresenta uma média de 120 km, enquanto de Recife ao extremo Oeste, Afrânio lá se vão 800 quilômetros. A grande vantagem é que faz com que nosso estado se adentre aos Sertões em uma distância longa. Por outro lado, o grande desafio é fazer com que as populações mais a oeste se mantenham ligadas ao estado, em especial a sua capital.
Até bem pouco tempo era comum encontrar estudantes do Maranhão à Sergipe estudando em Recife. Com a retomada da região metropolitana de Salvador e o crescimento acelerado de Fortaleza, a partir dos anos 80, somando-se à expansão da universidade na primeira década do século XXI houve um crescimento de opções e, atualmente, mesmo os cursos das áreas agrárias têm a maioria de seus estudantes de alunos da capital e região metropolitana.
Como encarar o fato de não haver mais o deslocamento à moda antiga
A migração dentro de países e fora desses, na grande maioria dos casos, sempre resultou em movimentos positivos como a diversidade cultural, novas visões empresariais e políticas. Corre-se o risco de nos projetarmos em busca de uma homogeneidade imaginária, o que leva à xenofobia, nacionalismo e ao racismo, o que é, no mínimo deplorável, embora haja o risco de sempre ocorrer intenções e tendências nesta direção.
Um dos modelos para encarar a questão é priorizar os deslocamentos de bens e pessoas de modo acessível, rápido e seguro. No caso específico do capital humano isto poderá ocorrer através da implementação de ações e políticas que levem à inserção das populações periféricas ao sistema neural dos negócios e do governo. À medida que jovens que estão nas capitais se deslocarem para as cidades do interior e, os jovens da Zona da Mata, Agreste e Sertão possam conhecer, viver e interagir com a capital, todos têm a ganhar. O mesmo se aplicando aos negócios.
Como fazer esta permuta?
Esta troca de riquezas se dará à medida que políticas públicas e oportunidades de empreendedorismo sejam dirigidas de modo que se criem oportunidades de negócios para a juventude e, em segundo que se priorizem formatos de novas empresas em que a diversidade profissional e até geográfica sejam premiadas, induzindo que novas empresas possam surgir em ambientes mais distantes, integradas à economia estadual. Esta foi uma questão que não se exercitou bem durante o período áureo da instalação da Refinaria Abreu e Lima, dos estaleiros e de centenas de empresas nas áreas de energia e metalmecânica em um período de aproximadamente seis anos, entre 2006 e 2012.
Não se trata de puro exercício acadêmico?
Felizmente não. Quando a Europa se deu conta de que não poderia ser grande contando com países que à época estavam distantes do padrão de desenvolvimento daqueles mais prósperos, voltou os esforços para a Espanha, onde recentemente havia sido reinstaurada a democracia, Portugal e Grécia.
É importante fazer lembrar de um seminário sobre Desenvolvimento Regional, promovido pela Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais – FUNDAJ, evento em que um dos palestrantes foi um Professor da Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha, o Dr. Manuel Quadrado, em tratando do esforço dos espanhóis em prol de um desenvolvimento equânime entre suas regiões.
Nosso estado talvez necessite de um pacto desta natureza
Não há por que se citar região A ou B. O fato é que não há como se esconder o hiato em econômicos e oportunidades entre os municípios, comunidades e distritos do ambiente rural. Já que houve um grande avanço no quesito educação, mesmo que não haja se exaurido, que se dirija igual esforço para duas infraestruturas básicas: a malha viária do eixo Leste-Oeste e o acesso à interne
Construindo-se em paralelo um amplo programa de apoio à primeira empresa, algo comentado em um texto anterior, se promoverá a custo relativamente pequeno uma inclusão no mercado de centenas de novos empreendimentos e milhares de novos empregos.
Fica claro que um conjunto de ações desse tipo não poderia ser implementado isoladamente pelo governo estadual. Uma conexão efetiva entre as representações empresariais, as agências de fomento do estado, a exemplo de FACEPE, ADEPE e AGEFEPE, suas equivalentes no âmbito federal e a rede de instituições de pesquisa e de ensino superior, as ICTs, levariam a um novo ciclo virtuoso sem que se estivesse na dependência de grandes investimentos que podem prosperar, ou, de modo abrupto suspender a operação e restar as obras inacabadas.
São aspecto para refletir. A força e o entusiasmo dos jovens aguardam os próximos passos.
Geraldo Eugênio | Professor Titular da UFRPE-UAST









