
Seja pelo objetivo de quem as contrata, pela alçada de quem realiza ou, também, por pontuais conjunturas que, independentemente do bom método, podem mascarar ou modificar resultados.
E as que estão sendo divulgadas com os pré-candidatos ao governo de Pernambuco precisam de atenção. Pesquisas são retratos momentâneos e precisam ser lidas muito mais de forma qualitativa do que quantitativa.
Os números quantitativos que apontam a candidatura de Marília Arraes (SD) – sem nenhum demérito à candidata – à frente dos demais, não devem ser levados tão a ponta da risca. Claro que é um termômetro, que gera mídia, mas vale lembrar que a prima de Eduardo Campos foi candidata a prefeitura de Recife em uma disputa acirrada e midiática. Por isso possuí um alto recall.
Além disso, Marília foi o fator político mais esperado desse processo ganhando a mídia quase diariamente, ao passo de trabalhar a storyline da ‘traída’. As pessoas tendem a se compadecer de personas assim.
O indicativo de que essas pesquisas precisam ser lidas com mais calma são os distintos índices de Bolsonaro e Anderson Ferreira, ambos do PL. Tomando como base a pesquisa do Instituto de Opinião, a diferença entre os aliados é de 10 pontos.
Nem a possibilidade de aproximação do bolsonarismo com a candidatura de Miguel Coelho (UB) – fruto muito do cargo de líder do governo que seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, ocupou – faria os eleitores fanáticos do presidente trocar de candidato. Visto que a de Anderson é a única candidatura publicamente aliada ao presidente
Anderson e Bolsonaro tendem a ter votação casada. Então? Qual bolsonarista não votaria em Anderson? Cadê esses números, no mínimo, semelhantes? Mais um indício que a leitura da pesquisa precisa ir além dos números.
E o que aconteceu com os eleitores de Raquel Lyra (PSDB)? Migraram para quem? Se dividiram? A queda nas intenções são desproporcionais, numa leitura superficial dos números.
Pesquisas são bússolas, instrumentos utilizados para definir estratégias eleitorais, mas não devem definir voto, pois o eleitorado não tem acesso as nuances do material.








