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Primeira empresa. Um programa desafiador| Por Geraldo Eugênio

Geraldo Eugênio, Engenheiro Agrônomo

A expectativa de ver uma filha ou filho na universidade

Ainda lembro o semblante de alegria de minha Mãe ao retornar do vestibular com a cabeça raspada. O ritual antigo para mostrar à sociedade que você era um dos eleitos. Na maioria das vezes, o primeiro jovem da família a conhecer o mundo do ensino superior. A quase certeza de que à frente estaria um jovem profissional apto a servir a seu povo e ser próspero.

Tudo era mais difícil e a peneira se iniciava aos dez anos quando a meninada era submetida à admissão ao ginásio. Eram poucos os colégios e, naquele momento um sistema invisível de castas punha suas catracas em movimento. O fato de chegar ao antigo ginásio, aos onze anos, não significa que veria a fita de chegada, mas com certeza num mundo em que grande parte das professoras não havia cursado sequer o básico já era uma vitória. Uma conquista. Neste quesito o Brasil avançou, culminando o movimento ascendente com a expansão geográfica do ensino superior em todo o território e não apenas nas capitais.

O que se espera da escola

Em um determinado momento, a cidade pacata, ponto de passagem e fornecedor de migrantes recebe a notícia de que uma universidade estaria chegando. Uma grande euforia, mas para muitos fosse preferível uma fábrica de qualquer coisa, desde que empregasse uma quantidade razoável de pessoas.

A instalação empolgou o comércio, em especial quem possuía imóveis extras porque via uma grande chance de contar com aluguéis e a valorização dos lotes, aqui conhecidos como terrenos. As contas foram feitas e refeitas e chegou-se à conclusão que seria melhor a universidade do que a fábrica.

O mundo descortina-se para o egresso

Logo a seguir, ao se deparar com quem chegava, notava-se a diferença de sotaques, hábitos e o comportamento em geral. Viu-se também que muitos desses vinham de terras distantes. Haviam estudados em escolas de renome e até no exterior. Aí o caldo entornou, de modo positivo, e as cidades quietas acordaram de seus cochilos e aos poucos foram se tornando centros urbanos importantes.

Brotou uma vida cultural, um novo padrão de moda e consumo e logo a seguir centenas de jovens que se aventuraram pelo Agreste ou saíram do conforto de suas casas se tornaram empresários, consultores, professores e prestadores de serviços. Esta foi a dinâmica em centenas de municípios Brasil afora.

E o que se esperar destes templos, povoados de inteligências de professores e técnicos e do vigor e a gana dos jovens alunos? Esperava-se que a roda da fortuna girasse em velocidade acima do normal e que ao redor de cada universidade ou centro universitário, uma região de desenvolvimento florescesse. Todos, em alguma extensão, cumpriram seu papel. Uns mais outros menos.

Como a sociedade recebe seus escolhidos

E após concluídos os cursos, ondem estão os egressos, aqueles que investiram quatro ou mais anos de suas vidas no aprendizado e na construção de sonhos? Tiveram fôlego para continuar a luta. Pararam e se contentaram com seus diplomas, se estabeleceram, cresceram, voaram?

Primeiro, a sociedade deve reconhecer que em cada colação de grau a escola oferece o que existe de melhor, os mais esforçados, os mais capazes, os mais aptos e os que sobreviveram. Não é possível que não se trabalhe no sucesso desses jovens. Segundo, ali é o momento em que a universidade, centro universitário, faculdade, instituto ou que denominação tenha de provar sua efetividade.

Há alguns dias estava conversando com amigos sobre métricas de se avaliar instituições e cursos. Uma das lições que aprendi ao conhecer outros povos foi o mais desafiador parâmetro é saber como está o jovem egresso dois anos após formado. Seu sucesso significa que o esforço valeu e que a escola foi um dínamo na vida desses jovens, o insucesso demonstra que há algo equivocado e a obra não saiu como esperado.

Este critério se aplica a qualquer curso. Sem exceção. Não é por ser músico que o jovem não deve ser um empresário, um empreendedor, muito menos os que concluíram os cursos de ciências humanas e licenciaturas que para maioria deverão ser empregados, sejam de instituições públicas ou privadas.

O fato é que o emprego é importante, mas tão importante quanto o emprego é a empresa. Em se concordando com a sentença acima, que se trabalhe na construção de um programa robusto de apoio à primeira empresa. Qualquer que seja o percentual de sucesso, será um programa bem-sucedido. Se apenas 10% das dessas sobreviverem ao vale da morte, essas serão capazes de gerar riqueza, emprego e desenvolvimento humano e social que abrirá os demais 90% e várias vezes mais.

Neste aspecto louve-se o programa Agri-Tech da UFRPE que procura capacitar seus alunos e professores para um mundo sem concurso. Aquele em que os jovens serão atirados a arena e terão que demonstrar que após dois anos de formados já não dependem dos recursos dos pais para o cinema aos finais de semana.

O momento é crítico, mas também adequado. Nada de blá, blá, blá, e faz de conta, senhores executivos. Os milhões de jovens que estão na escola aguarda suas propostas e, principalmente aquela que tratará da primeira empresa.

 

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