Cândida auris: O que se sabe sobre o superfungo encontrado em Pernambuco?

Autoridades sanitárias de todo o Brasil estão em alerta depois do aparecimento dos casos do fungo Candida auris, o chamado superfungo, em Pernambuco. Mas o que se sabe sobre esse fungo até agora? o Jornal do Sertão reuniu as informações.
Transmissão e letalidade
O microrganismo tem uma alta taxa de letalidade e é resistente a antifúngicos e outros medicamentos.
Porém, ao contrário das doenças virais, o fungo não é transmissível de pessoa para pessoa, nem por vias respiratórias, sendo restrito geralmente ao ambiente hospitalar e se instalando, principalmente, em pacientes que passaram por procedimentos muito invasivos.
Os organismos do reino Cândida são conhecidos da população, causam infecções orais e vaginais bastante comuns nos seres humanos, as candidíases, que são combatidas com fungicidas.
Mas, no caso da Cândida auris, a espécie produz o que os cientistas chamam de biofilme, uma camada protetora que a torna resistente ao fluconazol, à anfotericina B e ao equinocandinao, três dos principais compostos antifúngicos. A espécie é capaz também de infectar o sangue, levando a casos agressivos e muitas vezes letais.

Casos pelo Brasil
O fungo foi identificado em amostras de urina de dois pacientes que estavam internados num hospital do Recife. Um homem de 67 anos e uma mulher de 70 anos.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os casos registrados em Pernambuco na semana passada são o terceiro surto do Cândida auris no Brasil. O primeiro foi na Bahia, em 2020. Foram 15 casos e duas mortes. Já o segundo surto, também na Bahia, aconteceu em dezembro do ano passado.
Dos 18 casos identificados até agora no Brasil, dois resultaram em morte. Vale salientar que, mesmo com baixo número de casos, é definido surto o surgimento de um novo microrganismo contagioso.
Como combater?
Em entrevista à Agência Brasil, o membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, Filipe Proshaka explicou que ainda que não há uma fórmula pronta para se erradicar o fungo de determinado local, sendo necessário também investigar a situação de mais hospitais. A grande preocupação é que o Cândida auris pode permanecer no ambiente por longos períodos, até por meses, e resiste a diversos tipos de desinfetantes.
Em Pernambuco, ainda de acordo com a Anvisa, o hospital onde o fungo foi identificado já adotou as medidas para conter o surto.

