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A energia renovável nunca foi tão necessária ao produtor do semiárido. Por Geraldo Eugênio

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Água e energia caminham juntos

Durante muito tempo a terra e a energia mecânica dos braços e do lombo dos animais eram os fatos determinantes para o sucesso da produção agrícola. Quem contasse com mais área cultivada, mais bois, burros e trabalhadores semiescravos estaria à frente dos outros e se defenderia das catástrofes, sejam secas, enchentes, redemoinhos, pragas ou doenças, de modo bem mais efetivo. Impérios se foram por não conseguir domar a natureza, um exemplo marcante foram os Maias que sucumbiram a alguns ciclos de secas.

Desde os Sumérios, passando pelo Egípcios, a água passou a ser considerada como o fator mais importante, mas as populações aumentavam e nem sempre se contava com volumes suficientes para todos os tipos de demanda. Entraram os agrônomos e engenheiros a desenvolver tecnologias que permitisse o uso mais racional dos recursos hídricos, planejando canais, drenos e barragens centenas de anos à fio. Logo depois a enxada foi sendo substituída pelo arado de aiveca, pelas grades e, em seguida, por tratores ainda toscos, mas que valiam por dezenas de homens.

O primeiro poço em Mirandiba

A agricultura depende de vários fatores. O final do século passado trouxe consigo uma esperança palpável: o uso da energia hidrelétrica de modo universal e o crescimento das áreas irrigadas foi exponencial. No Brasil também cresceu muito, particularmente nas áreas em que havia água disponível a exemplo do vale do São Francisco.

Mas a maior revolução estava por vir. Lembro bem que em um dia qualquer do verão de 1995, em um distrito de Mirandiba estava o Governador Arraes e uma comitiva de auxiliares, políticos, secretários a inaugurar em uma escola rural um sistema de bombeamento de água de um poço tendo como fonte de energia duas placas voltaicas. Bosco, o então presidente da Compesa lembra muito bem disto, como Sérgio Rezende, Nelson Pereira e alguns produtores, curiosos, pequenos agricultores e interessados que se faziam presentes.

Pois, bem, ninguém ali imaginava que 26 anos após aquele fato as energias renováveis avançariam tanto e passaria a ser um fator de relevância para os sistemas produtivos do semiárido. Basta imaginar o que foram os anos 2016 e 2017 para os produtores de frutas do São Francisco e, entre 2012 e 2018 para os pecuaristas de Pernambuco, como um todo.

E a energia renovável reagiu

Foto: Divulgação

Aterrizemos nosso tapete mágico na Serra do Tará, o dorminhoco ou o alienígena, ficaria surpreso saber o que faria lá aquelas centenas de torres eólicas ou se fossem em direção a Buíque e Garanhuns, o que representava aquela terra espelhada que nada mais era do que recoberta por painéis solares.

Vamos além e raciocinemos o que poderia ser das cidades nordestinas, vendo as hidrelétricas da região produzirem energia para as cidades do Sul e Sudeste tendo as suas cidades em permanente apagão. Este cenário sombrio não ocorreu entre nós devido ao grande esforço e investimentos realizados na implantação dos parques eólicos e fotovoltaicos em todo o estado. Não é à toa que em 2021, as energias eólica e solar produziram uma quantidade de KWatts equivalente a uma hidrelétrica de Itaipu.

O Araripe se renova

Mesmo assim, ainda se encontrou reações de vários quilates onde alguém tentava convencer ao nordestino que os efeitos nocivos de uma torre geradora ou uma área coberta com placas era superior às mudanças decorrentes da instalação de uma hidrelétrica. Um absurdo!

O triângulo no Araripe constituí por áreas de Pernambuco, Ceará e o Piauí é uma prova concreta. A coisa deu certo, a energia tem sido gerada e ninguém de bom sendo questiona ou grita pela quebra dos moinhos de ventos do fidalgo Dom Quixote, representada pelas torres eólicas, pelo menos por enquanto.

Graças a persistência de técnicos, como o engenheiro Everaldo Feitosa, visionário e lutador incansável pelo uso da energia eólica Pernambuco é um estado que conta com um razoável parque de energia renovável e, podendo elevar o uso deste componente da matriz energética ainda mais.

Agora vejamos quando milhares de carrocerias cobertas por placas solares, tendo uma boa bomba de água e um sistema de captação de água de poços ou em superfície estiverem disponíveis aos produtores rurais do Sertão e do Agreste do estado. O esforço para que a energia elétrica chegasse à residência rural foi louvável e povoado de dúvidas e até boicotes. Hoje, aparentemente todos se curvaram perante as evidências e o preço da eletricidade está no boleto bancários recebido a cada mês. Restando a busca por opções energéticas capazes de reduzir o custo de produção ou teremos um despovoamento do campo ainda maior e mais intenso.

Logo, contar com a produção de energia em cada local onde haja água disponível e que possa ser na irrigação ou na dessedentação dos animais fará a diferença. Libertará o agricultor do boleto mensal e ainda lhe dará a chance de ser remunerado pela produção de energia em seu imóvel. A ficção foi aos poucos se tornando realidade e hoje desafia a nossa visão de futuro, ao menos quando se viaja Sertão à dentro e se depara com áreas extensas à espera de uma opção econômica. Gratos pelo sol que ilumina e envia esta torrente de energia que até pouco tempo atrás não se sabia o que dela fazer. Não é o caso agora. Energia se tornou um dos principais ativos para o agricultor e aqueles possuem imóveis rurais no Semiárido do Nordeste.

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