Homens evitam buscar cuidados médicos. (foto: shutterstock)

Por que eles não vão ao médico? Eles fogem de consultas, enrolam para fazer exames, dizem que “que procura acha”, que não sentem nada, então estão saudáveis. Os motivos são muitos. Alguns sentem vergonha de demonstrar fraqueza, outros morrem de medo de agulhas, da dor, de descobrir doença e até da temida morte.
O fato é que muito mais do que câncer, diabetes, pressão alta, obesidade, o que mata mesmo é o machismo. Para ajudar eles nesse Novembro Azul, o Jornal do Sertão conversou com a psicóloga sertaneja Zara Bruno, que explicou que caminhos levam os homens ao descaso com a saúde.

O descaso com a saúde é cultural!
“A minha experiência mostra… Eu vejo isso acontecendo frequentemente nos atendimentos psicológicos. Não se trata de medo ou temor. É algo cultural. Vivemos em uma sociedade onde é ensinado para homens que pedir ajuda ou se vulnerabilizar é sinônimo de fraqueza. E essa ideia transpassa por todos os seguimentos da vida, não somente para a área de saúde”, destacou Zara Bruno.
Isso é preconceito!
“Sim. Trata-se de um preconceito. É notório que a dificuldade de adesão aos procedimentos estão relacionados a esse preconceito. Basta observar as piadas feitas aos exames urológicos, trata-se de piadas onde a masculinidade é “colocada em cheque”. E isso não é verdade. São exames que podem salvar vidas. Quanto mais cedo for feito a avaliação, melhor será o prognóstico”, lembrou a psicóloga.

Fica a dica!
“A melhor forma de trabalhar o preconceito é através da informação. Quanto mais informação a sociedade tiver, menos força terá o preconceito. A informação salva vidas. Políticas públicas para que todas as classes da sociedade tenha acesso a informação”, finalizou a profissional de saúde mental.
Não vire estatística, cabra!
A pouca atenção com a saúde leva, claro, à menor expectativa de vida. Não por acaso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2016, os homens viveram cerca de sete anos a menos que as mulheres. Enquanto elas chegavam, em média, aos 79,3 anos, eles não passaram dos 72,2.