Os preços da cesta básica pesam no bolso dos sertanejos, mesmo com a redução no primeiro trimestre do ano

Está cada vez mais difícil encher o carrinho na hora de ir ao supermercado. Este é o sentimento de quem precisa fazer as compras todo mês. A autônoma, Diana Barboza, vende comida pronta aos finais de semana desde o início da pandemia no Vale do São Francisco. Para preparar os mesmos pratos que agradam e muito os clientes, ela tem sentido que está tendo que levar mais dinheiro para fazer as compras.
“Tem aumentado e muito meu gasto. Mês passado eu comprei feijão por cerca de R$ 6,00. Agora já tenho comprado de R$ 7,00. Arroz que comprei de R$ 3 e pouco, agora já compro a quase R$ 6,00. O que eu gastava há alguns meses, não dá mais para fazer a feira básica que eu fazia. Agora minhas compras estão o dobro comprando as mesmas coisas”, reclamou Diana. Para tentar uma economia, Diana busca alternativa. “De preferência vou em atacados para tentar economizar alguns centavos, mas já é alguma coisa. Está pesando mais no bolso. Tudo subiu”, disse.

Mas segundo o professor João Ricardo Lima, que realiza a pesquisa da Cesta Básica pela Faculdade de Petrolina, Facape, nos primeiros três meses de 2021 houve deflação de 1,73%, ou seja, a pesquisa aponta que o consumidor está pagando menos pelos produtos. Sentimento diferente de quem tem ido com frequência ao supermercado. A justificativa, segundo o professor, é que existe um aumento tão grande acumulado, que quando acontece uma pequena queda, é possível que não haja mesmo essa percepção de menor preço.
“A carne aumentou 0,91% nos últimos três meses. Mas quando a gente vê nos últimos sete meses, ela vem com um aumento de 24%. Quando a gente vê o acumulado em um ano, ela vem com quase 60% de aumento. Então está tudo muito caro, né!”, explicou o professor João Ricardo.
Mas o que justificaria a deflação apontada na pesquisa? Pelos dados da pesquisa, o tomate foi o principal responsável por acreditar que o consumidor está pagando menos. Segundo João Ricardo, a queda do tomate no primeiro trimestre foi de 24,43% em Petrolina. “Ele acabou puxando as coisas para baixo. Por exemplo, o feijão carioca aumentou 3,47% de janeiro a março deste ano. O pão francês teve aumento de 3,52%. Mas como a queda do tomate foi grande, acabou puxando o preço da cesta.”

No Mercado do Produtor de Juazeiro, o primeiro do Norte e Nordeste em volume e comercialização e o quarto maior do país nesse segmento, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, o tomate estava sendo vendido no primeiro trimestre a R$ 30,00. Segundo, Idelson José Filho, que comercializa tomate no Mercado do Produtor há 5 anos, em meses anteriores, a caixa do produto chegou a ser vendida a R$ 45,00.
E os outros produtos da cesta básica de janeiro a março?
A pesquisa da cesta básica da Facape analisa a variação dos preços de 12 itens nos municípios de Juazeiro, no Norte da Bahia, e Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Pelo acumulado deste ano, o que compreende janeiro, fevereiro e março, o maior aumento na cesta em Petrolina foi na margarina, com 7,8%, seguido do açúcar com 5,02%. O café em pó teve aumento de 3,55%. O pão francês apresentou aumento no primeiro trimestre de 3,52% e o feijão carioca com 3,47%.
Já os produtos que apresentaram queda neste primeiro trimestre, além do tomate, foram o leite integral, com 3,93%, o óleo de soja com 3,26% e o arroz com 2,18%.
Motivos para aumentos dos produtos
Segundo o professor João Ricardo, quase todos os produtos que tiveram aumentos maiores seguiram alguns motivos. Um deles é o alto preço do dólar, o que faz com que os produtores exportem a comida produzida no Brasil.
“A gente começou a exportar muita comida, porque o dólar acabou valorizando muito frente ao real. Hoje já deve estar encostando nos R$ 6,00 e isso favorece as exportações. É como se quem morasse fora do Brasil comprasse nossas coisas mais barato. E aí você tem a China, principalmente, comprando muito comida do Brasil e pagando bem. Então, os produtores brasileiros começam a exportar carne, soja, açúcar. Se exporta, fica menos matéria-prima para fazer o óleo de soja, por exemplo, menos carne e acaba fazendo com que os preços aumentem”, explicou o pesquisador da Facape.


