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O avanço da pandemia no Vale do São Francisco: todos precisamos fazer nossa parte por João Ricardo Lima

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve quinzenalmente sobre Economia & Negócios para o JS.

O Colegiado de Economia da FACAPE divulgou a comparação da evolução da pandemia do novo coronavírus nos meses de janeiro e fevereiro de 2021, nas cidades de Petrolina/PE e Juazeiro/BA. Os números mostram uma redução na quantidade de novos casos na cidade pernambucana (-12%) e um aumento na cidade baiana (11%). Em Petrolina/PE, os números de novos casos começaram a reduzir na segunda semana de janeiro e mantiveram esta tendência na primeira quinzena de fevereiro, quando a situação se inverte e os novos casos passam a crescer. Em Juazeiro/BA, os casos novos cresceram nas três primeiras semanas de janeiro, mas reduziram um pouco na última semana. Assim, em fevereiro foram 1.731 novos casos em Petrolina/PE e 919 em Juazeiro/BA enquanto no mês de janeiro haviam sido, respectivamente, 2.662 e 745.

Apesar de existir uma grande diferença no total de casos nas duas cidades (16.575 em Petrolina/PE e 9.336 em Juazeiro/BA), quando são analisados os casos ativos, ou seja, aquelas pessoas ainda infectadas, a diferença é pequena. O lado de Pernambuco fechou o mês de fevereiro com 2.289 casos ativos e o lado da Bahia com 1.989, ou seja, apenas 300 casos a mais para Petrolina/PE.



A quantidade de novos óbitos também caiu nas duas cidades, passou de 26 para 23 em Petrolina/PE (queda de 11%) e de 21 para 12 em Juazeiro/BA (diminuição de 43%). As taxas de mortalidade nas duas cidades (1,78% em Juazeiro/BA e 1,21% em Petrolina/PE) são menores do que a média nacional (2,41%) e regional (2,29%). A
vacinação aumenta na mesma proporção que no restante do país. No final de fevereiro Petrolina/PE tinha vacinado cerca de 3,95% de sua população e Juazeiro/BA, 2,70%.

Em relação às testagens, como sempre ocorreu desde o início da pandemia, Juazeiro/BA testa menos do que Petrolina/PE, a proporção é de aproximadamente 1/4 do total. Porém, vale ressaltar, isto não é novidade, sempre as testagens em Juazeiro/BA foram consideradas muito baixas em relação a Petrolina/PE.

Enfim, se estes números todos não são ruins, qual o motivo de tanta preocupação que leva as autoridades estaduais a implementarem medidas de restrição como toque de recolher e fechamento de estabelecimentos não essenciais? As mais importantes são o crescimento dos novos casos na segunda metade do mês de fevereiro, indicando uma
possível “nova onda” de pessoas infectadas; e o aumento da quantidade de leitos de UTI públicos ocupados. É fato que o isolamento social, nas duas cidades, caiu bastante no mês de fevereiro. Em Petrolina/PE passou de 41,3% para 38,5% e em Juazeiro/BA, passou de 42,4% para 39,3%. Como já comprovado cientificamente, quanto menor o isolamento, maior a chance de novas pessoas se contaminarem. É o reflexo do comportamento da população, que se aglomera como se a pandemia tivesse acabado. Um outro fato é que houve redução da disponibilidade de leitos de UTI. Em Petrolina/PE, durante várias semanas entre julho e novembro de 2020 se tinha muito mais leitos do que pacientes internados. Depois acontece um ajuste entre a quantidade de leitos disponíveis e a de casos ativos, mas no final do mês de fevereiro ocorrem novas reduções de leitos disponíveis e isto só poderia causar aumento do percentual de ocupações. É o reflexo da gestão incorreta dos leitos, chegam quando se precisa menos e vão embora quando aumentam as necessidades. É caro manter leitos de UTI abertos, mas é muito mais caro
os impactos econômicos e sociais de um fechamento de atividades comerciais. Todos precisamos fazer a nossa parte para podermos ultrapassar este momento de tanta dificuldade.

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