A alta na taxa de ocupação de leitos de UTI levou o governo de Pernambuco a restringir o horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais. A partir de sexta-feira, 26 de fevereiro até o dia 10 de março, todas as atividades econômicas e sociais estarão proibidas, entre 20h e 5h, em 63 municípios, entre eles Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Parnamirim, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade.
Além disso, nos próximos dois finais de semana, as atividades estarão proibidas entre 17h e 5h, quando apenas serviços essenciais poderão continuar funcionando. Neste cenário, o Jornal do Sertão quis saber qual a situação real dos municípios sertanejos.

Taxa de ocupação de leitos no Sertão
Os números crescentes da pandemia e a lotação acima de 90% dos leitos nas três Gerências Regionais de Saúde (Geres) responsáveis pelos 63 municípios justificaram a medida restritiva adotada pelo Governo de Pernambuco. Mas, situação isolada de algumas cidades sertanejas é ainda mais preocupante.
Araripina com 100% dos leitos ocupados
Em Araripina, todos os leitos 70 leitos, de regulação e UTI, estão ocupados. Além disso, os pacientes internados seguem sem previsão de alta médica. Até agora o município ultrapassou a barreira dos 4 mil casos e das 60 mortes por Covid-19.
“Nós já tivemos dois momentos de medidas mais restritivas aqui no município. E estamos estudando como vamos nos comportar a partir de agora, diante dessa situação. A gente não está vendo, realmente, uma colaboração maior da população. Está havendo um relaxamento”, lamentou a secretária de Saúde da cidade do Sertão do Araripe, Roberta Falcão.
Belém do São Francisco com toque de recolher e fila de espera por leitos
Outra cidade sertaneja que atravessa um momento preocupante nessa pandemia é Belém do São Francisco. Apesar de estar fora da lista estadual dos municípios que precisam adotar medidas mais restritivas, a cidade já tem uma lista de espera para quem contraiu a Covid-19.
Para tentar frear a pandemia, a gestão municipal adotou um toque de recolher, das 22h às 5h. “Nós entendemos ter sido necessário tomar essa medida porque 100% dos leitos de UTI dos hospitais de referência de Belém do São Francisco estão lotados. Por tanto, nós estamos tentando salvar vidas”, justificou o prefeito belemita, Gustavo Caribé.

Bodocó sem leitos para pacientes graves
Em Bodocó a situação é agravada pela falta de leitos para atender aos pacientes graves. “Nós temos um hospital de pequeno porte que possui oito leitos. Desses, três estão ocupados por pacientes com Covid-19. Os pacientes que têm agravo no quadro têm que ser encaminhados para hospitais em Araripina e Ouricuri”, explicou a secretária de Saúde do município, Lidiane Nobre.
De acordo com informações da Secretaria de Saúde de Bodocó, a cidade tem apenas dois pacientes graves internados em hospitais de referência, mas ainda não há lista de espera.
No último boletim epidemiológico, o município registrou 1345 casos da doença e 18 óbitos.

JS Saúde









