
Em abril de 2009, o mundo começava a enfrentar a pandemia de H1N1, doença que na época era conhecida como gripe suína. Onze anos depois, em março de 2020, o mundo parou por causa de uma nova doença: a Covid-19.
Com quase um ano de pandemia decretada, o Jornal do Sertão resolveu falar sobre a principal arma contra o novo coronavírus, a vacinação e também fazer uma breve comparação com a pandemia de H1N1. Para tanto, nossa reportagem conversou com a professora de imunologia da Faculdade de Medicina da Estácio de Juazeiro-BA, Dra. Conceição Aquino.
Covid-19 x H1N1

Questionada pelo JS, a professora de imunologia fez uma breve comparação entre a vacinação dos grupos prioritários contra o H1N1 e agora em 2021 contra o novo coronavírus. “Quando aconteceu o H1N1, os Estados brasileiros, especificamente o Sistema Único de Saúde (SUS) deu conta de distribuir e vacinar toda a população que realmente precisava em tempo recorde. Então são dois momentos completamente diferentes”, avaliou a médica.
Ações federais contra a gripe
Com a pandemia decretada, o Governo Federal implantou um sistema de barreira sanitária de Influenza em todos os aeroportos e nas capitais brasileiras. Também havia um monitoramento diário com a ajuda dos estados e municípios e o Mistério da Saúde formou um Comitê de Gerenciamento de Crise para Influenza que ajudou a manter um maior controle da situação e orientava na tomada de medidas para conter a pandemia.

E agora em 2021?
Para a professora da Faculdade de Medicina da Estácio de Juazeiro-BA, contra a Covid-19, falta organização por parte do Governo Federal. “O Ministério da Saúde e outras instâncias não fizeram um planejamento no sentido de, há tempos, protocolar a aquisição dessas vacinas. E como a nossa população e grande, vai faltar vacina sim. Então, eu acredito que desde quando houve o protocolo das vacinas lá em setembro/outubro (2020), se tivessem feito o planejamento da compra de grande parte dessas vacinas. Hoje, o SUS é altamente eficaz na distribuição dessas vacinas”, assegurou Conceição Aquino.
Longe do fim
Com o H1N1, em 11 de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo enfrentava uma pandemia de gripe suína. O fim da pandemia foi anunciado 14 meses depois.
Já o final da pandemia da Covid-19 ainda parece nebuloso. A doença, descoberta em dezembro de 2019 na China, que se disseminou para mais de 160 países em pouco menos de três meses, iniciou a vacinação em dezembro de 2020, mas ainda de forma bem lenta, tanto que até este mês de fevereiro, mais de 130 países ainda não aplicaram doses do imunizante.

E o que falta no Brasil?
Apesar dos entraves políticos, para a professora de imunologia, ainda é possível acelerar vacinação da população. “Infelizmente houve uma interferência nas ideologias políticas. Faltou somar as instâncias Federal e Estaduais e, com isso, quem perde é a população. Mas se buscarem o diálogo, somarem forças políticas para a compra de insumos, os institutos estão prontos para a produção”, finalizou Conceição Aquino.
Reforço nas doses
Durante participação na reunião virtual com governadores na quarta-feira, 17 de fevereiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que 230,7 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 serão entregues até 31 de julho.
As próximas entregas devem acontecer ainda neste mês de fevereiro: 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, importadas da Índia e 9,3 milhões de doses da Sinovac/Butantan, produzidas no Brasil. No próximo mês de março, são aguardadas 18 milhões de doses do Instituto Butantan e outras 16,9 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca.
JS Saúde








