
É fato que o carnaval une povos e valoriza tradições há gerações em Afogados da Ingazeira, conhecida como a terra dos tabaqueiros, no Sertão do Pajeú. Com a pandemia, não haverá festejos ou blocos nas ruas, somente silêncio nas avenidas. Esse ano a terça-feira não terá foliões correndo atrás dos trios elétricos e as famosas virgens desfilando com seus trajes extravagantes.
Apesar de tudo, falar de carnaval na cidade é sinônimo de alegria,ia; por isso o Jornal do Sertão entrevistou o influenciador digital Pedro Acioly, conhecido Corujão do Pepeu, que atua no marketing digital e de influência na região desde 2017 e tem mais de 15 mil seguidores no instagram. “Eu costumo dizer que já nasci pulando, já nasci estralando chicote, correndo tabaqueiro. Desde os 5 anos de idade eu lembro que minha mãe me fantasiava de tabaqueiro para que eu pudesse sair nas ruas e pudesse me divertir acompanhado dos meus pais; sentir a cultura do carnaval afogadense, esse carnaval que vem crescendo ao longo dos anos”, declara.

Carnaval com muito trabalho e conquistas
Afogados da Ingazeira é uma cidade pólo do carnaval de Pernambuco e atrai multidões em diversos blocos por toda a cidade. O influenciador destaca que é muito gratificante poder participar dos festejos. “Não só como folião, enquanto blogueiro e comunicador eu fui convidado a participar de outros blocos para fazer a cobertura. Pela Rádio Pajeú, por exemplo, eu cobri o Bloco das Virgens da Pedro Pires, as Virgens da Cohab e Asa do Frevo. Fui convidado também a fazer a cobertura do Bicho, bloco da década de 90 que saiu novamente nas ruas ano passado após 11 anos, Bloco A Onda e o carnaval fora de época Arerê, uma parceria que abriu as portas para mim enquanto comunicador.”
Pandemia entristeceu os foliões
O Corujão do Pepeu, que também realizou coberturas de outros carnavais em cidades da região, a exemplo de São José do Egito e Iguaracy, disse ao Jornal do Sertão que foi um choque muito grande não ter carnaval esse ano. “Eu gosto muito do carnaval e vivo o carnaval. A gente que é do nordeste, pelo menos boa parte das pessoas, torce pra chegar dois meses: fevereiro e junho. Quando a gente não brinca, não vive, tem aquela tristeza. Carnaval é aquela festa que une todo mundo, é uma festa que, independente como você curta, é bastante animada e mexe com a gente. O impacto, não só financeiro, mas também cultural foi muito grande. Tanto para o vendedor que vai atrás dos trios com o seu carrinho de mão até um produtor de um evento de grande porte. Eu fiquei bastante triste por não ter carnaval esse ano”, lamenta.

Carnaval de inovação e pioneirismo no Pajeú
O conhecido artista plástico e carnavalesco Luciano Pires, 43, é fundador de dois blocos Carnavalescos em Afogados, o Bloco das Virgens com 18 anos e Bloco infantil Unidunitê Kids com 10 anos de existência. “O carnaval pra mim é alegria, é arte, é trabalho e responsabilidade, o carnaval é a maior “vitrine” que um artista pode ter, uma vitrine gratuita onde a criatividade te leva para o mundo. Quero ficar velhinho mas sempre contribuindo com o carnaval de nossa cidade.”


Talento afogadense que leva o Pajeú para o Brasil
Pires, que foi homenageado no Carnaval em 2017, relata destaques da sua carreira, entre fantasias e alegorias que ultrapassam as fronteiras do sertão pernambucano. “Em 2014 o bloco infantil fez uma homenagem ao nosso inesquecível Ayrton Senna onde fabriquei uma réplica de um carro de Fórmula 1 em tamanho original, onde essa arte saiu em muitos jornais do nosso brasil. Também trabalho nos carnavais no Bloco do Jacaré da Beira Rio na cidade do Recife, onde fabriquei o mascote do bloco com 12 metros e 50 centímetros. Tive a oportunidade de conhecer o trabalho de algumas escolas de samba do Rio de Janeiro e, através do meu talento, fui aprovado em 2 escolas.”
O artista afogadense e defensor da cultura, trabalha intensamente para oferecer ao público um momento único, repleto de alegria e muita diversão. Os seus blocos reúnem milhares de foliões fantasiados. “No último carnaval, investi muito nas alegorias, principalmente no bloco infantil onde fiz a nave e um reboque mini-trio, confecção dos personagens da TV e muito mais. Houve a participação de 1.500 foliões. No Bloco das Virgens fizemos o desfile com premiações de um carro Monza e prêmios em dinheiro, feijoada e bebida de graça para as virgens. Um público de 2.500 foliões,” ressalta Luciano Pires.

Ano sem carnaval causa grandes prejuízos
É consenso entre os entrevistados que o prejuízo é incalculável, tanto culturalmente como financeiro. “Eu, no último sábado, estive nos lugares onde saem os blocos e confesso que me emocionei vendo aquela imagem sem ninguém, é inacreditável ver um ano sem o nosso carnaval. A saudade é grande em só imaginar que não temos nosso momento carnavalesco. É como diz a música “é de fazer chorar”, mas creio em Deus que ano que vem possamos voltar ao normal e realizar um dos melhores anos carnavalescos de nosso município”, comenta o carnavalesco.
Na Princesa do Pajeú, a paixão carnavalesca começa desde criança.
Edgley Brito, 39, é um premiado artista, conhecido na região pela sua criatividade, originalidade em fantasias, peças, obras e desde os sete anos participa do carnaval.“Eu perdi a minha mãe com 11 meses de vida. Eu tinha que cobrir essa falta, então cobria fazendo arte. Eu não tinha dinheiro pra comprar brinquedos, mas eu tinha a capacidade de fazer meus brinquedos e consegui viver da arte”, relata ao Jornal do Sertão.

Brito é vencedor do desfile de fantasias do tradicional baile de carnaval municipal desde 2011. “Depois de vencer sete vezes, eu virei hors concours, que é quando não disputa mais, apresenta mas não concorre. Eles já dão o prêmio por apresentação e em 2015 eu fui homenageado do carnaval. Também ganhei 3 vezes o concurso de tabaqueiros, fora as vezes que fiquei em segundo lugar, que também são conquistas”, lembra.
Premiações e títulos são resultado de talento e muito empenho
Os diversos títulos são resultados de muita dedicação ao longo dos meses e apoio das pessoas. “Eu me preparo e vivo o ano quase todo, cheguei a esses títulos pois eu não faço essas roupas de um dia para o outro. Eu vejo a entrada, vejo quem pode me ajudar, uma costureira, um cara da luz e do som”, relata Edgley.
Por fim, a folia do Rei Momo traz não apenas o sentimento de alegria, há também renovação para o resto do ano. “O carnaval eu renovo, acho uma força muito grande de alegria, tanto em mim como nas pessoas, que você vê o ano todo com cara fechada e no dia do carnaval vê aquela alegria. Então, no meu momento triste que sinto falta da minha mãe, eu me apego ao carnaval”, diz o artista premiado.
Live de carnaval é transmitida para foliões festejarem em casa
Para amenizar a saudade, entre ontem e hoje, ocorre a transmissão de live carnavalesca direto da terra dos tabaqueiros no canal do Youtube 3M Home Studio. A iniciativa é resultado da parceria entre a Associação de Secretários de Turismo de Pernambuco (Astur), a Secretaria Estadual de Turismo, a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Empetur e a Rádio Pajeú. A live inicia às 20h, com apresentação de Beto Café e a participação de orquestras e artistas regionais.











