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Crise sanitária impede cidades sertanejas de celebrarem tradições carnavalescas

Um ano atrás os foliões já se preparavam para sair às ruas no sábado de Zé Pereira, espalhando alegria pelos quatro cantos. De Arcoverde a Petrolina, aglomerações de pessoas fantasiadas tomavam conta das cidades pernambucanas com as tradicionais marchinhas de carnaval, orquestras de frevo, tabaqueiros, caretas, cavaleiros da rosa mística e outras figuras do período carnavalesco. Em 2021, a pandemia do novo coronavírus não vai permitir os festejos e a orientação é respeitar as regras de distanciamento. O secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, Rodrigo Novaes, anunciou no fim de janeiro que o Governo de Pernambuco cancelou o ponto facultativo nos dias de carnaval. 

Prefeituras cancelam ponto facultativo de Carnaval

Diversos municípios sertanejos estão seguindo as determinações, tendo em vista que o Comitê Estadual de Enfrentamento à Covid-19 tomou essa decisão para evitar a disseminação do vírus. Nesse Carnaval, a pandemia atinge negativamente a economia da região, que recebe turistas do Brasil e do mundo. Especialmente o setor hoteleiro, comercial e de serviços.

A crise sanitária fez com que as máscaras dos caretas da cidade turística de Triunfo, no Sertão do Pajeú, sejam substituídas pelas máscaras de proteção contra a Covid-19. Uma tradição com mais de um século, que se manteve viva e ininterrupta, não vai fazer a alegria dos foliões esse ano. De acordo com a historiadora Diana Rodrigues, “os caretas tiveram origem quando um Matheus, personagem do grupo de reisado do Sítio Lages, ficou bêbado e foi expulso do grupo. Então, ele saiu mascarado pelas ruas da cidade.” Com o tempo, mais pessoas se juntaram e a agremiação tomou proporções nacionais.

De acordo com a gerente de turismo de Triunfo, Thalita Malaquias, a cidade cancelou o Carnaval e o impacto é na ordem de um milhão de reais. “O trade turístico está sentindo bastante. A gente não vai trabalhar com nenhum evento que remete ao carnaval mas ainda espera turistas, todas as pousadas e hotéis estarão funcionando e os bares e restaurantes ficarão abertos até as 22h.” Ela ressalta que a fiscalização será reforçada. “No período em diferentes horários de sexta-feira até quarta de cinzas. Vamos trabalhar com pessoas nas ruas orientando sobre o distanciamento, uso de álcool em gel e máscaras de proteção.”

 

Rede hoteleira tem redução de 50% de hóspedes em relação ao ano passado

Na cidade, o Jornal do Sertão conversou com a administradora da Pousada Baixa Verde, uma das mais antigas no município, que destacou o impacto negativo com a pandemia. “Fomos muito afetados, mais de 50% do público que viria cancelou. Nossos pacotes também foram desmanchados, deixamos apenas diárias. O movimento está muito ruim”, disse Terezinha Macedo. Ela também destaca que a situação é vivenciada por toda a rede local. “Em conversa com o Sesc, a situação é a mesma. De certa forma a gente se conforma, pois se trata de problema sanitário. É melhor a gente ficar vivo e mais na frente conseguir um ganho. Assim vamos seguindo.”

Terezinha Macedo lembra que todas as medidas de prevenção estão sendo tomadas para uma estadia segura dos hóspedes e visitantes. Por fim, destaca que ainda há vagas. “Através do nosso site, telefone e WhatsApp é possível reservar. Além disso, o clube Águas Parque Triunfo vai permanecer aberto nos dias de carnaval.” Para entrar em contato, ligue (87) 99622-0089.

 

Blocos e trios elétricos são suspensos e não tem previsão para retornar às ruas

Em Afogados da Ingazeira, terra dos tradicionais Tabaqueiros, que são figuras que tomam as ruas da cidade e região com roupas coloridas e máscaras carnavalescas, não desfilarão esse ano. O som dos chocalhos amarrados aos cintos e os estalos das chibatas feitas de couro e corda foram silenciados pela pandemia. Seguindo o Decreto Estadual, o concurso de fantasias e o tradicional Baile de Carnaval não serão realizados pela Prefeitura em 2021. 

Os tabaqueiros receberam esse nome ainda no século 20 por utilizarem uma bolsa com tabaco para fumar quando desfilavam e há gerações fazem a alegria dos foliões afogadenses. Os trios elétricos que arrastam multidões nos festejos de rua utilizados no bloco A Onda, que há 20 anos traz grandes artistas do Nordeste, e no bloco A Cobra vai Subir, com milhares de participantes, ficarão guardados para não gerar aglomerações. Esse ano não tem abadá, confete ou serpentina no Pajeú.

Em Tabira, conhecida pelo bloco Cavaleiros da Rosa Mística, que utilizam vestimentas no estilo anos 20, as fantasias vão permanecer no guarda-roupa. Não haverá orquestra de frevos nas ruas ou bloquinhos infantis. A Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes da cidade também suspendeu os pontos facultativos carnavalescos e tomou outras providências. “Seguindo as recomendações do Ministério Público, que pede aos órgãos culturais que evitem formas que venham a incitar aglomerações. Comunicamos que , excepcionalmente esse ano, não teremos ornamentação carnavalesca em nosso município”, anunciou.

O Jornal do Sertão apurou que outros municípios  sertanejos também seguiram as orientações do Governo de Pernambuco e cancelaram os pontos facultativos dos dias 15, 16 e 17. Custódia, Salgueiro, Araripina, Iguaracy, Serra Talhada e Sertânia terão expediente normal nas repartições públicas e funcionamento do comércio.

JS Economia

Jornalista Anderson Santana Editor Antônio José

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