
A poesia em São José do Egito também tem rosto, voz e versos femininos
A poetisa natural de São José do Egito, Isabelly Moreira, aponta em seu artigo “A Mulher na Poesia do Pajeú”, publicado no Observatório Itaú Cultural, algumas razões que fizeram com muitas mulheres poetas não ganhassem notoriedade na arte. Ao mesmo tempo, ela ilustra as muitas artistas que se destacaram neste trabalho, dando contornos, sonoridade e um novo sentido aos versos produzidos na Terra dos Poetas. No primeiro caso, segundo a escritora e poeta, os homens sempre foram maioria no ramo. Além disso, as mulheres não podiam se apresentar em todos os eventos e tampouco em viagens. Na época, não era de “bom tom” mulheres em meio aos homens nas rodas de poesia. Além disso, as mulheres tinham que conciliar a arte com uma dupla jornada de trabalho em casa, no cuidado com os filhos.
Ainda assim, da terra brotaram nomes como Luiza Batista, Cida Pedrosa, Bia Marinho e tantas outras. Luiza Batista só conseguiu se iniciar e permanecer na poesia, graças à ajuda do pai, que a acompanhava nas rodas de versos. Mesmo assim, logo após o casamento, a poeta encerrou o seu trabalho, deixando versos que retratavam a condição da mulher na poesia e que abordavam o seu drama pessoal por ser analfabeta, quase cega e não poder prosseguir com a poesia. A jovem poetisa Mariana Teles nasceu em berço esplêndido. Filha do Patrono do Repente e da Cantoria de Viola em Pernambuco, Valdir Teles, usa a poesia para enaltecer a cultura sertaneja. “Meus versos reúnem costumes de um povo… que nasceu na sobra de um Sertão valente”. Que fala das histórias de antigamente, nas rimas de um poeta novo… quem ouve uma vez, quer ouvir de novo … o verso é do mundo, do céu e do ar…tem marcas visíveis de improvisar…”Com estes versos, a jovem poetisa, também testemunha a arte que orgulhosamente se propaga de geração para geração, mantendo a tradição de São José do Egito, Terra dos Poetas.
A História
Em São José do Egito, a poesia brota com tanta fertilidade quanto as espécies típicas da Caatinga, a exemplo do Umbu e do Mandacaru.Uma data criada para incentivar a leitura, escrita e publicação de obras poéticas. Este é o sentido do dia 20 de outubro, Dia do Poeta. Na região sertaneja, uma cidade se destaca, por segundo a tradição, possuir um poeta a cada metro quadrado. Estamos falando de São José do Egito, a Terra dos Poetas, nossa homenageada nesta data especial. Reza a lenda, que há centenas de anos, uma viola foi enterrada no trecho do rio Pajeú, que corta o município de São José do Egito. Desde então, na região, não para de nascer poeta, o que torna o município diferenciado, pois nas esquinas, rimas e versos fazem parte das principais rodas de conversa.
A força e a expressão da poesia moldam a cidade. Em nível nacional, a localidade ganhou projeção com nomes como Antônio Marinho, Dimas, Otacílio, Lourival Batista, Mário Gomes, Cancão e tantos outros. A poesia virou matéria do currículo escolar e é lecionada para crianças na Escola Municipal Baraúnas, no sítio Baraúnas, localizado na área rural da cidade. Além das quatro operações, das partes que compõem uma planta e do alfabeto, os pequenos também aprendem sobre métrica, rimas e versos. E assim, encravada no coração do Semiárido, há cerca de 402 km de distância do Recife, a pequena São José do Egito se torna grande pelos versos, que brotam por lá, assim como o Umbu, o Mandacaru, o Arroz Vermelho e o Feijão de Arranca.
Foi lá no passado, nos tempos da colonização, que a relação de São José do Egito com a poesia começou. Segundo o Professor de História e coordenador da Banda Vozes e Versos, Fábio Renato de Lima, a vocação que formou a população de poetas de São José do Egito bebeu da fonte dos portugueses. “A sonoridade do baião de viola e as influências dos mouros, mulçumanos que invadiram a Península Ibérica foram trazidas pelos portugueses. Digamos que os cantadores são uma evolução dos trovadores. ”
Uma linha de caminho geográfico acredita que os poetas tenham seguido o percurso do rio no período da colonização, passando, inicialmente, por Itapetim (PE), considerada o “ventre da poesia” e, em seguida, por Teixeira (PB), um local de troca cultural entre os ibéricos e o povo da região. Por fim, São José do Egito, a localidade mais próxima do rio e a maior dentre as três, foi o destino final que acolheu os artistas.










