
E assim deve ser
Acordo com letra maiúscula, este é um instrumento que perdura por cinco décadas envolvendo a UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco e o IPA – Instituto Agronômico de Pernambuco. Nele estava ancorado um número expressivo de projetos de pesquisa e extensão e, mais do que tudo um amplo programa de estágio que permitia dezenas de jovens estudantes utilizarem das estações do IPA, em suas férias ou no período letivo, o compartilhamento de equipamentos e de bens, a exemplo de áreas de cultivo, pastagem, animais e, acima de tudo, a integração efetiva entre docentes da universidade e pesquisadores do instituto.
Momento alto
A legislação de estágio por melhor e mais moderna que possa ser, piorou muito o acesso dos estudantes ao IPA, às pequenas e médias empresas. Isto tem prejudicado a formação dos alunos, levando-os a serem expostos a sua atividade profissional além dos portões da escola, normalmente quando já estão prestes a concluir seus cursos.
O acordo permitia que, com certa facilidade, o IPA pudesse receber dezenas de estudantes em férias, a exemplo das Estações de Serra Talhada, Belém do São Francisco, Araripina e Arcoverde, para se restringir ao Sertão e manter um nível de pesquisa de alto nível.
Ao se fundir o serviço de extensão à pesquisa, agregou-se ao redor de 180 escritórios de extensão rural como unidade de aprendizado ensino. Esses escritórios certamente necessitando da visão dos jovens e de suas habilidades em comunicação, internet e atividades remotas. O não uso desta capacidade em escala plena, limita a capacidade de aprendizado, o desempenho e formação dos profissionais do IPA, o acesso ao produtor e às agências de fomento e bancos que aportam recursos através de empréstimos ao agronegócio regional do pequeno e médio produtor.
Desestruturação – mofando nas gavetas
Nas duas últimas décadas, apesar da expansão da Universidade e de investimentos substanciais realizados no IPA, o trabalho integrado foi diminuindo, sendo reduzido a iniciativas pessoais, em particular nos laboratórios de Recife e a dinâmica de atividades conjuntas foi substancialmente reduzida. As casas de hóspedes nas estações foram desativadas com alguma exceção, além da legislação vigente considerar que é ilegal o estudante estagiar durante as férias.
Deixou-se de ser dado ênfase ao trabalho conjunto e a estafa se apoderou da relação, levando o acordo ser objeto de menções em discursos e promessa de amor eterno não recíproco.
Perde o produtor que não deixa de contar com o conhecimento, a alegria e o olho juvenil, do conhecimento e experiência dos professores e pesquisadores, da relação privilegiada que sempre existiu entre o extensionista e o campo e de uma infraestrutura invejável montada subutilizada.
É importante se chamar a atenção que não há futuro para essas instituições no que se refere à atividade rural sem que possam estar juntas evitando-se duplicidade de esforços e ocupando o espaço geográfico e o acervo técnico que cada uma dispõe em sua longa caminhada. A UFRPE, que iniciou suas atividades em um mosteiro Beneditino, em Olinda, em 1912 e o IPA, criado a partir de um governador visionário, ligado à atividade canavieira, mas com um incomparável senso de realidade e visão de futuro que foi Carlos de Lima Cavalcanti, em 1935.
A retomada
O que tem sido dito acima tem como inspiração um evento hoje ocorrido em Serra Talhada, um dia de campo com as culturas do milho e do sorgo, objeto do esforço comum da UFRPE-UAST – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, da Estação Experimental de Serra Talhada (IPA) e das empresas mantenedoras do Programa Prospera: Corteva, Yara e Massey Ferguson.
Ver a comunhão da iniciativa privada, de instituições públicas do governo federal e estadual, produtores, agentes de crédito, técnicos, extensionistas, empresários, consultores em busca de solução para o semiárido não pode deixar de ser motivo de alegria. Foram resultados surpreendentes para um ano com chuvas irregulares, apesar do bom volume, e que deixa clara a sensação de que mesmo no semiárido nordestino a aplicação do que existe de mais moderno em termos de tecnologia vale a pena.
Pernambuco poderá até não ser autossuficiente em produção de grãos nos próximos dez anos, mas com certeza a participação da produção local na demanda será significativamente para melhor.
Os demais parceiros
E este esforço integrador ficaria restrito às instituições citadas? Claro que não. Estariam fazendo parte do esforço, o Sebrae com o amplo programa de transferência de tecnologia em todo o estado, o Senar, como braço operacional da Federação de Agricultura do Estado de Pernambuco, os Institutos Federais de Pernambuco e do Sertão, as escolas técnicas estaduais, as empresas especializadas em projetos e assistência técnica, as associações e cooperativas e, como não poderia deixar de ser, os bancos de fomento para as atividades rurais da região, a exemplo do BNB, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.
Nos municípios sertanejos há uma tendência no fortalecimento de suas respectivas Secretarias de Agricultura bem como no trabalho integrado de instituições como o CDL – Clube de Dirigentes Lojistas, nos sindicatos de empresas do comércio e dos sindicatos de trabalhadores rurais e de produtores. Hoje uma chama foi acesa com o apoio do Programa Prospera fazendo com que a Estação de Serra Talhada vivesse seus tempos áureos, resta a todos trabalhar para que este trabalho seja escalonado e a Universidade e o IPA assumindo a posição deles esperada.









