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Positividade Tóxica Por Daniel LIma

Daniel Lima – Teólogo, Filósofo e Psicanalista/GBPSF/ISFN. @daniellima.pe

Depois do tumulto  “vai ficar tudo bem”, a pandemia lançou luz sobre uma verdade, que até então estava escondida, ou querendo ser negada: a crise de saúde mental não se resolve apenas com pensamento positivo e fármacos. Muitas vezes dar lugar às emoções negativas e ter acesso a ajuda,  é crucial para seguir em frente. Está na hora de abandonar a Positividade Tóxica.  Não é que ser otimista esteja errado, o problema está em persistir em mensagens positivas,  mesmo quando não se está bem. Afinal, tudo  não está bem de quando em quando. Como diz o velho ditado “a vida tem seus altos e baixos”, a questão é como vamos lidar com cada situação. Quando a pessoa evita reconhecer momentos de negatividade, isso a leva a sentir-se pior.

 

Estar sempre alegre é irreal

Imaginar que é possível estar sempre alegre, é no mínimo irreal. Mas esse discurso que prega o otimismo irrestrito como uma única forma de enfrentar as adversidades pode trazer graves consequências à saúde mental Esse movimento ganhou bastante força nas redes sociais  com a hashtag (#) Goodvibesonly (apenas boas vibrações), que já contabiliza mais de 13 milhões de menções no Instagram e foi batizado por  especialistas,  como “positividade tóxica,” por ser um fenômeno que nega a tristeza e outras emoções que venham a ser consideradas negativas. Nesse caso, o  pensamento positivo deixa de ser benéfico e começa a ser tóxico, porque  os momentos de dor são postos debaixo do tapete e a vida perde sentido, por isso,  a resiliência deve conter  um positivismo são.

 

A vida não é um mar de rosas

A saída de um profundo mal-estar,  nos  obriga  a olhar para o sofrimento humano de frente,  e a promover capacidades inatas – a resiliência e a gratidão –, para assim atravessarmos as horas sombrias com um otimismo realista, porque a vida não é um mar de rosas. Quando não está tudo bem,  ou quando algo realmente está mal, é preciso parar, sentir e intervir, ou seja, não basta dizer às pessoas para fazerem exercício físico ou meditar, o melhor caminho,  é  dar acesso a serviços em que possam ser escutadas, expressar emoções e serem compreendidas por profissionais qualificados.

 

Invalidar sentimentos aumenta a dor de quem sofre

No filme Divertida-Mente (2015) de Pete Docter vemos como é necessário assumir e,  que sentir tristeza ou medo,  é útil, Calar essas emoções é que traz mais sofrimento e nos impede de seguir em frente. Por mais difícil que seja a realidade, a única maneira saudável de encará-la, é aceitá-la do jeito que ela é. Isso não significa deixar de tomar atitudes conscientes para ter algum bem-estar. Quando estamos frente a um momento de sofrimento, primeiro, precisamos reconhecer que ele está ali e, depois,  ver o que é possível fazer para amenizá-lo. Equilibrando a saúde mental e o bem-estar, automaticamente existe uma sensação de que tudo vai dar certo ainda que a situação esteja desfavorável. A  psicanálise acredita que é a partir do atravessamento da dor (não negando),  é que se dará a promoção da “cura”. Invalidar sentimentos aumenta a dor de quem sofre e,  mascara os confrontos.

Quem é Daniel Lima Gonçalves: Psicanalista, Filósofo e Teólogo.
Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi – GBPSF; Membro da International Sándor Ferenczi Network – ISFN; Membro Emérito – Sociedade Pernambucana de Estudos Psicanalíticos – SPEP; Estudo Permanente em Psicanálise no Instituto Nebulosa Marginal – INM; Especialista em Psicanálise e Teoria Analítica – FATIN; Especialista em Filosofia e Autoconhecimento – PUCRS; Extensão em Certificação Profissional em Neurociências – PUCRS; Pós-graduando em Ciências Humanas – PUCRS; Cursando Formação na clínica psicanalítica com adultos – CPPLRecife.
@daniellima.pe    daniellimagoncalves.pe@gmail.com


 


 

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