
O sertão não é um espaço com concentração de indústrias de grande porte, que estão instaladas mais no litoral do Nordeste ou em outras regiões, principalmente na Sudeste. Ele possui algumas agroindústrias, mas o que gera mais emprego e renda é o setor de serviços e a agricultura irrigada. Esta pandemia está aumentando a distância entre eles.
É fato que a economia brasileira passa por dificuldades em termos de conseguir voltar a crescer há alguns anos. É sabido também que o agronegócio em geral não sente essa crise, que se concentrou no setor industrial e no de serviços. O sertão reproduz o mesmo movimento nacional. A fruticultura irrigada bate recorde de produção e exportação e os empresários do setor de serviços, por outro lado, a cada dia mais observam redução na rentabilidade, com aumento de custos em geral e queda nas receitas.

A pandemia aumentou o distanciamento entre os dois principais setores. Em primeiro lugar as atividades agropecuárias são consideradas essenciais e não param. Além disso, a população mundial busca se alimentar melhor e aumentar o consumo de frutas. Isto favorece quem pode vender o ano inteiro, como o Vale do São Francisco. O momento atual é de bons preços para as principais frutas, manga e uva. Existe dificuldade em contratar bons profissionais. Os melhores são disputados pelas empresas e isto faz os salários aumentarem. A palavra desemprego não está no dicionário.
No setor de serviços, contudo, a situação é bem diferente. Os empresários ainda buscam se recuperar do ano de 2020 e já se defrontam com um novo fechamento de atividades não essenciais. O desemprego de trabalhadores é uma realidade e o desespero passou a ser seu sinônimo. É verdade que este filme já foi visto antes e hoje muitos se reinventaram e podem estar ligeiramente melhor preparados para lidar com a situação. Contudo, o que ocorre é que não estão suportando o tamanho do ônus da pandemia. Na crise, o Estado se faz necessário. As ações ainda são tímidas. É preciso, ao mesmo tempo que se informa sobre o processo de fechamento das atividades, que soluções sejam colocadas para quem está prestes a não ter mais renda. Se este apoio vir em forma de auxílio, crédito subsidiado ou alguma outra maneira, não importa, mas algo precisa ser feito com urgência.
Ninguém quer que ocorram mais óbitos em função da pandemia. Se a solução possível é o fechamento das atividades comerciais não essenciais ou até mesmo a restrição de circulação das pessoas, que se faça. Contudo, as famílias vão precisar de suporte, ou se caminhará para uma situação de barbárie.











